Diretor-geral da PF nega pressão política

Corporação é blindada porque produz ?provas robustas?, diz Corrêa

Eduardo Kattah, BELO HORIZONTE, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, assegurou ontem que a instituição não sofre qualquer tipo de pressão política no âmbito da Operação Faktor (originalmente denominada Boi Barrica), que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "As pressões, se estão acontecendo, nós estamos bem protegidos. E a maior proteção da Polícia Federal é a qualidade da prova", afirmou. "Costumo dizer que se nós tivermos uma prova robusta não interessa quem seja o investigado. Quem se insurgirá contra uma prova técnica robusta? E essa é a regra na Polícia Federal e é o nosso conforto." Fernando Sarney já foi indiciado em quatro crimes: tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica. Corrêa considera um "folclore" as especulações de que o presidente do Senado poderá optar por renunciar ao cargo caso conclua que o prolongamento da crise contribuirá para piorar a situação de seu filho. Da mesma forma, o diretor-geral da PF não acredita que Sarney tenha decidido concorrer à presidência da Casa para tentar proteger familiares na investigação. As supostas queixas de Sarney quanto ao vazamento de gravações telefônicas em que ele, o filho Fernando e a neta Maria Beatriz Sarney intercedem pela contratação do namorado da jovem, segundo Corrêa, não chegaram até a PF. O conteúdo das interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial foi revelado pelo Estado. "As conversas em nível de chefe de poder, elas transitam entre as chefias dos poderes e, no máximo, até o ministro", afirmou. O ministro da Justiça, Tarso Genro, já afirmou que a PF não foi responsável pelo vazamento, ressaltando que as interceptações foram divulgadas depois que o processo seguiu para o Ministério Público e ficou à disposição das partes interessadas. Tarso chegou a dizer que o segredo de Justiça "praticamente terminou no País". Corrêa salientou que no momento em que o inquérito se transforma em processo, "a regra é a publicidade". "Dependendo dos fatos e dos envolvidos, ganha uma repercussão maior", anotou.

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