André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Diretor-geral da PF exalta a Lava Jato ao tomar posse

Rogério Galloro diz que operação continua 'forte' e afirma que novo Ministério Extraordinário da Segurança será um novo aliado no combate ao crime organizado

Carla Araújo, Fábio Serapião e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

02 Março 2018 | 11h47

BRASÍLIA - O ministro Extraordinário da Segurança, Raul Jungmann, deu posse nesta sexta-feira, 2, a Rogério Galloro como diretor-geral da Polícia Federal. Ao assumir, Galloro afirmou que a nova pasta será uma aliada no combate ao crime organizado e afirmou que a Operação Lava Jato “continua forte”. “As conquistas dos últimos anos são marcantes na PF e são indeléveis”, disse. “Não haveria sentido adotar postura diversa. A Lava Jato continua forte”, completou.

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Galloro classificou o ex-diretor-geral Leandro Daiello “como amigo desde o meu primeiro dia na Polícia Federal” e lembrou que esteve com ele durante o tempo que Daiello dirigiu a corporação. “Fiz parte de toda a gestão de Leandro Daiello, estive em momentos difíceis e em momentos de conquistas”, disse.

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O novo diretor-geral afirmou ainda que “quem chega tem pouco a dizer, precisa apenas a ouvir e aprender” e que tentará trabalhar para que a corporação continue a fazer um bom trabalho. “O crime não é e não será mais forte que o Estado brasileiro, o crime não vencerá”, disse.

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Galloro convidou para formar a cúpula da instituição delegados que são especialistas em combate ao crime organizado. A expectativa na corporação é de que, com o novo comando, a PF consiga ser protagonista na atuação contra as organizações criminosas ligadas ao narcotráfico e a desvios de dinheiro público dentro da nova formatação do Ministério Extraordinário da Segurança Pública, pasta à qual está subordinada a PF.

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SEM PRESIDENTE 

Diferente da posse do ex-diretor-geral Fernando Segovia, em novembro do ano passado, a cerimônia que deu o cargo máximo da PF a Galloro não contou com a presença de políticos. No caso de Segovia, inclusive o presidente Michel Temer, de forma inédita, compareceu ao evento. Nesta sexta, no entanto, Temer preferiu uma agenda “mais popular” e foi a Sorocaba (SP) entregar ambulâncias.  

“Lisonjeado” com a presença de um presidente na cerimônia de posse, em sua primeira entrevista coletiva, Segovia criou sua primeira polêmica à frente do cargo ao afirmar que ““uma única mala talvez não desse toda a materialidade criminosa que a gente necessitaria para resolver se havia ou não crime”, em referência ao caso da mala de R$ 500 mil que a JBS pagou para o ex-assessor especial de Temer Rodrigo Rocha Loures.

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Segovia também fez críticas à Procuradoria-Geral da República e disse que o órgão deveria “explicar possíveis erros no acordo de colaboração premiada firmado com executivos do grupo J&F, entre eles, o empresário Joesley Batista”.

No momento de maior crise, Fernando Segovia teve que se explicar ao ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, uma declaração à agência de notícias Reuters.

CURRÍCULO 

Delegado federal há 23 anos, Galloro é visto como de perfil técnico, com maior afinidade para cargos administrativos. Antes de ser diretor executivo na gestão de Leandro Daiello, Galloro foi superintendente em Goiás, diretor de Administração e Logística e adido policial nos Estados Unidos.

Durante a gestão de Daiello, o novo diretor-geral atuou como coordenador das forças da PF na Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. Desde 2017, quando assumiu a Secretaria Nacional de Justiça, ele também integra o Comitê Executivo da Interpol.  

SEGOVIA E TORQUATO

Segovia, que foi demitido nesta semana pouco mais de três meses depois de assumir o cargo, agradeceu ao ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que diferente do que se publicava eles sempre tiveram convívio de muito respeito e a Jungmann também fez um agradecimento e o alertou que ele terá “um desafio árduo”.

Segovia disse ainda que haja “maturidade” e “profissionalismo” para dar continuidade ao trabalho de “mudar e aperfeiçoar a gestão e fortalecer a nossa Polícia Federal”. “As pessoas passam, a instituição permanece”, afirmou.

Segovia também citou a Lava Jato, disse que a PF continua forte e independente e a Lava Jato é um exemplo disso. O agora ex-diretor-geral agradeceu aos comandantes militares que “sempre apoiaram a Polícia Federal”.

Ao agradecer a família, Segovia - que passará a ser adido em Roma, citou o imperador romano Julio Cesar e finalizou sua fala declarando: “vim, vi e venci”.

MESMO TETO

Torquato, que tentou emplacar Galloro no cargo, mas teve que aceitar a nomeação de Segovia - patrocinada por uma ala política do governo - fez um discurso breve no qual destacou que agora há uma “nova perspectiva de gerência constitucional”, já que os ministérios da Justiça e da Segurança “vão coabitar sob o mesmo teto”. Torquato agradeceu a Segovia pelo trabalho e deu boas-vindas a Galloro e a Jungmann.

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