Diretor financeiro da Odebrecht é delatado por colegas

Felipe Montoro Jens é citado pelos delatores por ter pedido dinheiro para a campanha de seu tio, o ex-deputado estadual Ricardo Franco Montoro

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2017 | 15h01

A lista dos denunciados pela Odebrecht trouxe uma situação ‘sui generis’ para a empresa. O atual diretor financeiro do grupo Odebrecht, Felipe Montoro Jens, foi delatado por seus colegas por  ter pedido dinheiro para a campanha de 2010 de seu tio José Ricardo Franco Montoro. Jens não pertence ao grupo dos 77 delatores que fizeram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) e portanto está exposto a investigações  e a eventuais punições.

Jens estão tão exposto que os procuradores enviaram uma petição ao Supremo Tribunal Federal com o seu nome e o de seu tio pedindo que o caso seja apurado pelos procuradores de São Paulo. São os procuradores de São Paulo que vão decidir se abrem uma investigação. Na empresa, o executivo comentou a amigos que está bastante chateado porque ele apenas teria tentado se informar como funcionava a doação para campanhas e agora tem seu nome envolvido em acusações. Quando a empresa decidiu entregar às autoridades todos os atos irregulares que cometeu fez uma chamada de todas as áreas  que poderiam ter algo a declarar à Justiça. Jens não fez parte da lista.

De acordo com a petição enviada ao STF pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, os ex-executivos Carlos Armando Guedes Paschoal e Benedicto Barbosa é que teriam relatado o pedido do dinheiro à campanha de Montoro. Não há informação sobre os valores que teriam sido solicitados ou doados. Na eleição de 2010, Montoro foi candidato a deputado federal pelo PSDB mas não foi eleito, ficando apenas como suplente. O político foi eleito vereador da cidade de São Paulo nas eleições de 2000 e 2004 e deputado estadual em 2006. O delator Carlos Armando Paschoal era diretor da Odebrecht em São Paulo e foi ele também que informou ao MPF que a empresa deu dinheiro para caixa 2 da campanha do governador Geraldo Alckmin. O governador nega ter pedido qualquer recurso irregular para suas campanhas.

O executivo em nota disse que: "nunca foi feito tal pedido de minha parte e muito menos que fossem realizados com recursos não contabilizados. Ademais, Ricardo Montoro era candidato a Deputado Federal em 2010 e não candidato à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, como o suposto alegado." O alegado a que se refere Jens é que na petição os procuradores dizem que Montoro teria sido candidato a deputado estadual. A Odebrecht se ateve a reenviar o posicionamento que tem adotado desde que as delações tornaram-se públicas, dizendo que a empresa entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos.

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