Diretor dos Correios no MT é condenado por usar empresa para pedir votos para Dilma

Nilton do Nascimento terá de pagar multa de R$ 5 mil por ter utilizado a estrutura da estatal para distribuir cartas a favor de candidata a presidente para 1,6 mil servidores

Fátima Lessa, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2014 | 23h01

Cuiabá - O juiz eleitoral  de Mato Grosso, Alberto Pampado, condenou o diretor dos Correios de Mato Grosso, Nilton do Nascimento, a pagar uma multa de R$ 5 mil por ter usado a estrutura da estatal para pedir votos para a presidente Dilma Rousseff (PT),  e para os candidatos Lúdio Cabral (PT) ao governo do Estado,  Ságuas Moraes (PT) a deputado estadual além de Wellington Fagundes (PR), ao Senado, pela Coligação "Amor a Nossa Gente".  Em nota, a assessoria dos Correios informa que o diretor vai recorrer da decisão.

A denuncia foi feita antes do primeiro turno  pelo presidente do Sindicato  dos Trabalhadores das Empresas dos Correios e Telégrafos de Mato Grosso, Edmar Santos Leite que solicitou à Justiça Eleitoral uma investigação contra o diretor .Por telefone, nesta terça-feira, Leite disse que naqueles dias que antecederam as eleições os servidores alegaram que estavam sofrendo intimidação e coação dentro dos Correios.  Segundo o sindicalista, o diretor usou a estrutura para pedir votos aos servidores.

No dia 23 de setembro, Nascimento realizou reunião em um hotel com o então candidato Lúdio e os servidores comissionados e indicados da instituição onde ficou determinado o envio de uma carta aos servidores usando endereços retirados do cadastro interno da instituição.  A carta foi enviada sem remetentes no dia 25 de setembro, sendo entregue com prioridade máxima no dia seguinte para mais de 1,6 mil servidores.

Na carta Nascimento afiançava as candidaturas e citava avanços do governo federal nos últimos 12 anos com programas sociais e cursos de capacitação. 

Segundo o sindicalista, a postagem não seguiu a tabela de preços praticados no mercado. Conforme a tabela, uma carta com peso de até 20 gramas, sem serviços adicionais, tem custo de R$ 1,30, as cartas enviadas aos servidores custaram  R$ 0,60. As correspondências foram entregues nos locais de trabalho. O diretor Nascimento disse que as informações usadas por ele constam no site da empresa e estão disponíveis ao público.

Para o juiz Pampado, ficou demonstrado que o diretor dos Correios usou o cadastro oficial da empresas.  "O endereço das unidades, dos Correios é de conhecimento público, mas o nome de cada um dos funcionários que trabalha na unidade é informação privativa da empresa, somente tendo acesso aos dados que faz parte de seu quadro de funcionários", diz o juiz em sua decisão.

A assessoria dos Correios divulgou nota, nesta terça-feira, na qual lembra que Nascimento trabalha na empresa há mais de 36 anos e por isso "conhece a maioria dos colegas de trabalho pelo nome completo, não sendo necessário a utilização de nenhum banco de dados da empresa". 

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