Diretor do Real Grandeza encara auditoria com naturalidade

'Serão muito bem-vindos. Queremos a maior abertura possível', disse Ricardo Gurgel Nogueira

Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2009 | 19h18

A ameaça de realização de auditorias no caixa da Fundação Real Grandeza feitas pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, foram recebidas com demonstração de naturalidade pelo diretor financeiro da entidade, Ricardo Gurgel Nogueira. "Serão muito bem-vindos. Queremos a maior abertura possível. Deveríamos até abrir um guichê e distribuir senha na fila formada por todos que hoje fazem auditoria aqui, para não causar tanto tumulto", disse. O ministro acusou a atual administração de falta de transparência ao defender a substituição de Nogueira e do presidente da entidade, Sérgio Wilson Ferraz Fontes, por um só nome indicado pelo PMDB, partido do ministro. Veja também:15 maiores fundos de pensão administram 70% do total do País Contra trabalhadores, PMDB tenta assumir fundo de pensão de Furnas   Escândalo do mensalão derrubou diretoria em 2005 Entenda a polêmica do Real Grandeza, o Fundo de Furnas O diretor financeiro disse que o Fundo de Pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear é tido hoje no setor como um dos mais transparentes. Segundo ele, o caixa da Fundação, além de ser auditado pelas comissões internas das patrocinadoras, também recebe visitas esporádicas da CGU (Controladoria Geral da União), do TCU (Tribunal de Contas da União), da SPC (Secretaria de Previdência Complementar), e ainda presta informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a uma controladoria externa nas mãos do Bradesco. "Também estamos contratando um administrador fiduciário e diferentemente de todos os demais fundos prestamos contas diariamente de nossos investimentos a todos os conselheiros", disse. Além das ameaças feitas pelo ministro, de pedir uma ação da CGU para fiscalização das condições financeiras da Fundação, circularam também rumores - não confirmados oficialmente - de uma possível auditoria a ser feita pela Eletrobrás no caixa do fundo de pensão de suas controladas, que gerencia R$ 6,3 bilhões em recursos previdenciários e é hoje o 11º maior fundo de pensão do País. Nogueira também negou as acusações de que teria havido um acordo entre a direção do fundo e os sindicalistas que defenderam a atual gestão das pressões pela troca de cadeiras. "Desconheço completamente este tipo de acordo", afirmou. Aliados de Lobão afirmaram que o acordo teria sido firmado em torno de uma ação trabalhista movida pela Associação dos Aposentados (Após-Furnas) no valor de R$ 1 bilhão. Segundo estas fontes, o acordo previa que a Fundação garantiria o pagamento do valor devido. A coordenadora do Após-Furnas, Tânia Vera, também negou a existência de tal acordo. Segundo ela, esta ação não se refere ao fundo de pensão, mas está sendo movida contra a empresa. Na década de 90, quando cogitou-se privatizar Furnas, a administração à época reconheceu que tinha uma dívida para com a Fundação no valor de R$ 1 bilhão. Como a proposta de privatização foi esquecida, Furnas também não ressarciu o fundo de pensão deste valor. "Achamos que isso tem que ser pago e estamos brigando judicialmente por isso", disse.

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