Diretor do Iedi diz que juros tem que ser tema de campanha

Ao apresentar as propostas do setor industrial ao PSDB, na presença dos pré-candidatos Geraldo Alckmin e José Serra, e do presidente do partido, Tasso Jereissati, o diretor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Julio Gomes de Almeida, afirmou que os juros altos são a questão central para o empresariado. Segundo ele, o tema tem que ser assunto da campanha para as próximas eleições, embora muitos analistas defendam o contrário.O Iedi defendeu que a indústria é a grande alavanca do crescimento brasileiro, e ressaltou que nos últimos 20 anos o País passou por um forte processo de desindustrialização por conta de um ambiente hostil à produção, formado por juros altos, carga tributária elevada e câmbio desfavorável. O executivo mostrou um gráfico sobre a desindustrialização brasileira, no qual revela que o período mais marcante para o processo foi durante os anos 90, incluindo o governo Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, partido com o qual o Iedi realiza o seminário "Renovar Idéias - Política Monetária e o Crescimento Econômico do Brasil", promovido também pelo Instituto Teotônio Vilela, do PSDB.A proposta do Iedi aos pré-candidatos do PSDB tem como meta principal a queda dos juros e o equilíbrio no câmbio. Para isto, a entidade defende uma ampla revisão dos gastos públicos, que ao mesmo tempo preserve os investimentos em infra-estrutura, educação e saúde.Concomitantemente, o País precisa de um programa de incentivo ao investimento, que prevê regras mais claras das agências reguladoras, e estímulos ao investimento em infra-estrutura. A grande questão, segundo o executivo, é que todo o ajuste de gastos públicos não seja abocanhado pelo setor financeiro. "A cobrança pela redução dos juros será intensa, porque há muito tempo eles estão altos", ressaltou.Gomes de Almeida disse não existir razão para se utilizar a desculpa dos juros altos no combate à inflação, já que não há ameaças inflacionárias. Ele também defendeu que o câmbio flutuante no Brasil seja um pouco menos flutuante, a exemplo do que conseguem fazer outros países.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.