Diretor diz que oposição desviou recursos da Asefe

O diretor financeiro da Associação dos Funcionários da Fundação Educacional (Asefe), Jorge Eduardo de Miranda, garantiu hoje, em depoimento à CPI da Câmara Legislativa do Distrito Federal que apura o uso de dinheiro da entidade por políticos de oposição, que foram desviados recursos para a campanha do ex-governador Cristovam Buarque (PT). Miranda apresentou documentos fiscais que, segundo ele, comprovam o esquema irregular e garantiu que foram usadas notas fiscais frias para justificar a saída de dinheiro da Asefe.Miranda disse que o ex-diretor financeiro da associação Firmino Pereira do Nascimento tem provas de que foi desviado dinheiro de um contrato superfaturado para a realização de um show durante a campanha de Cristovam em 1998. "É uma situação bem contundente. Há provas e documentos que serão analisados", declarou o relator da CPI, deputado Odilon Aires (PMDB).A CPI na Câmara Distrital foi criada há cerca de um mês a partir das denúncias feitas pelo ex-diretor Firmino Nascimento. Em conversa gravada, ele revelou ao ex-diretor do Sindicato dos Professores, Marcos Pato, que usou cerca de R$ 75 mil da entidade em sua campanha para a Câmara Distrital, em 1998. Acusou ainda dirigentes da Asefe e políticos do PT, PPS, PCB e PC do B de terem sido beneficiados pelo esquema.Controlada há seis anos pelo PT, PPS, PCB e PC do B, a Asefe apresenta um rombo financeiro de R$ 20 milhões. A entidade tem 30 mil associados, entre professores e funcionários administrativos das escolas públicas do Distrito Federal, ativos e inativos.Além de Cristovam, teriam sido beneficiados pelo esquema os deputados distritais Wasny de Roure e Lúcia Carvalho, ambos do PT, o deputado federal Agnelo Queiroz (PC do B) e quatro candidatos que não foram eleitos em 1998 - Chico Vigilante, Trajano Jardim, José Eudes e o próprio Firmino Nascimento.Ainda em depoimento, Jorge Eduadro de Miranda disse que recursos da Asefe foram desviados por meio da retirada irregular de tíquetes-alimentação por diretores e associados. O dirigente da entidade apresentou planilhas que comprovariam a fraude nas contas da associação. Segundo ele, houve superfaturamento na produção de material gráfico da associação, como folhetos e jornais, e o dinheiro era repassado para campanhas eleitorais.

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