Diretor de presídio é processado por tortura

O diretor de segurança e disciplina da penitenciária de Andradina (SP), Carlos Alberto Xavier do Nascimento, será processado por crime de tortura por causa das mortes de três presos em 19 de fevereiro deste ano, um dia após a megarrebelião promovida pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em vários presídios do Estado.Os detentos Marcos Antônio Soares da Silva, Oziel Rodrigues e Francisco Walter Cavalcante Silva morreram asfixiados dentro de um furgão da Secretaria de Administração Penitenciária. Eles foram trancados no veículo por ordem do diretor e lá permaneceram durante cerca de oito horas devido à suspeita de que pertenceriam ao PCC.No inquérito realizado pela Delegacia de Investigações Gerais de Andradina, Nascimento foi incriminado por 25 testemunhas, entre presos e agentes penitenciários, e acabou indiciado por homicídio qualificado. No entanto, o promotor de Justiça Izaias Claro deu outro enquadramento ao caso, denunciando o diretor pelo crime de tortura. "O acusado não queria a morte dos detentos, mas apenas castigá-los", afirma o promotor.A denúncia foi aceita pela 2ª Vara de Andradina, que marcou para o próximo dia 26 o interrogatório de Nascimento. De acordo com a lei, o diretor, que não fala sobre o assunto, poderá ser condenado a até 16 anos de prisão.Outra conseqüência também prevista na lei dos crimes de tortura é a possibilidade de o diretor perder o cargo, do qual está afastado desde as mortes dos presos. A penitenciária não informa se Nascimento está exercendo nova função ou foi transferido para outro presídio.

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