Diretor da PF nega pressão política em caso Sarney

O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa, assegurou hoje que a instituição não sofre qualquer tipo de pressão política no âmbito da Operação Faktor (originalmente denominada Boi Barrica), que investiga o empresário Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "As pressões, se estão acontecendo, nós estamos bem protegidos. E a maior proteção da Polícia Federal é a qualidade da prova", afirmou.

EDUARDO KATTAH, Agencia Estado

30 de julho de 2009 | 17h17

"Costumo dizer que se nós tivermos uma prova robusta não interessa quem seja o investigado. Quem se insurgirá contra uma prova técnica robusta? E essa é a regra na Polícia Federal e é o nosso conforto". Fernando Sarney já foi indiciado em quatro crimes: tráfico de influência, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

Corrêa considera um "folclore" as especulações de que o presidente do Senado poderá optar por renunciar ao cargo caso conclua que a permanência e o prolongamento da crise contribuirá para piorar a situação de seu filho. Da mesma forma, o diretor-geral da PF não acredita que Sarney tenha decidido concorrer à presidência da Casa para tentar proteger os familiares na investigação.

"A operação segue normalmente e acho que isso prova que talvez tenha um pouco de folclore aí, que um ex-presidente reduziria assumir um cargo relevante no País em razão de uma operação. Não creio nisso", observou. "Se não vale para chegar não vale para... A Polícia Federal não opera motivada por questões políticas e partidárias. Ela investiga fatos e não pessoas. E fatos criminosos, não fatos políticos".

As supostas queixas de Sarney quanto ao vazamento de gravações telefônicas em que ele, o filho Fernando e a neta Maria Beatriz Sarney intercedem pela contratação do namorado da jovem, segundo Corrêa, não chegaram até a PF. O conteúdo das interceptações telefônicas realizadas com autorização judicial foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo. "As conversas em nível de chefe de poder, elas transitam entre as chefias dos poderes e, no máximo, até o ministro", afirmou.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, já afirmou que a PF não foi responsável pelo vazamento, ressaltando que as interceptações foram divulgadas depois que o processo seguiu para o Ministério Público e ficou à disposição das partes interessadas. Tarso chegou a dizer que o segredo de Justiça "praticamente terminou no País".

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