Diretor da Petrobrás diz à CPI que nunca ouviu falar de desvios

José Carlos Cosenza, que sucedeu Paulo Roberto Costa no cargo de diretor de Abastecimento da estatal, afirmou que nunca teve conhecimento de suposto esquema que teria desviado dinheiro para pagamento de propinas

Ricardo Brito, O Estado de S. Paulo

29 de outubro de 2014 | 15h34

Atualizado às 18h06

Brasília - O diretor de Abastecimento da Petrobrás, José Carlos Cosenza, afirmou nesta tarde, em depoimento à CPI mista da estatal, que "nunca ouviu falar" de um esquema de desvio de recursos da companhia petrolífera para atender a interesses de partidos políticos. Ele também disse desconhecer, nos 38 anos como funcionário da Petrobrás, a existência de um esquema de pagamento de 3% de propina sobre contratos de um cartel de empreiteiras.

Cosenza disse que só conheceu Paulo Roberto Costa no momento em que foi convidado para ocupar a Gerência de Refino da estatal, em 2008. Costa, a quem sucedeu na Diretoria de Abastecimento em 2012, participou de um acordo de delação premiada no qual confessou ter feito parte de um esquema de desvio de recursos e pagamento de propina a políticos.

O diretor afirmou que jamais teve conhecimento de irregularidades na estatal nem acerto entre as empreiteiras para fraudar contratos na estatal, conforme admitiu Costa. "Nós temos várias comissões internas de averiguação, além disso, a Petrobrás está muito próxima dos órgãos públicos, então não existe uma conclusão até o momento", afirmou.

Questionado pelo relator da CPI, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), se sabia de "conluio" em contratos da Petrobrás, Cosenza respondeu: "É o objetivo dessas comissões internas (de investigação da Petrobras), se tiver ocorrido, chegar a essas conclusões."

O diretor comentou a reportagem publicada pelo Estado em que é descrita que a Polícia Federal interceptou, no curso da Operação Lava Jato, uma troca de mensagens entre o doleiro Alberto Youssef e o deputado Luiz Ârgolo (SD-BA), em que ambos faziam menção a Cosenza. Segundo a matéria, os dois planejavam um encontro entre o atual diretor e Youssef. A matéria ressalva que a PF não imputa "atos ilícitos" a Cosenza, embora o nome dele conste do relatório da polícia feito para a operação.

Cosenza disse que não conhecia nenhum dos dois. "Nunca estive nem com um nem com outro, não os conheço pessoalmente", afirmou.

Procura. O atual diretor de Abastecimento afirmou ainda que nunca foi procurado por qualquer pessoa para dar continuidade ao esquema de irregularidades na área que comanda desde que assumiu, em 2012, em substituição a Paulo Roberto Costa. "Reitero, ninguém me procurou e, se me procurasse, eu não estaria sensível a isso", respondeu Cosenza ao questionamento feito pelo deputado Sandro Mabel (PMDB-GO).

Sem fornecer detalhes ou mencionar nomes, o parlamentar peemedebista desafiou Cosenza e disse que o atual diretor foi, sim, procurado por alguém para dar continuidade ao esquema patrocinado por Costa. Segundo Mabel, Cosenza conversou com uma pessoa e afirmou a esse interlocutor que, se o esquema de Costa existiu, não existiria mais na sua gestão.

Cosenza disse que durante o período em que trabalhou com Costa "nunca viu nada que o desabonasse". "Não tive nada que me dissesse que não era (uma pessoa de bom nível)", afirmou. O atual diretor foi gerente executivo de Refino da Petrobrás entre 2008 e 2012, setor subordinado na ocasião a Costa. 

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