Diretor da LBV não compareceu para depor

O diretor-presidente da Legião da Boa Vontade (LBV), José de Paiva Neto, terá de depor "na marra" na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados.Principal acusado pelas irregularidades constatadas na LBV, Paiva Neto era esperado nesta terça-feira na comissão, mas não compareceu, alegando estar impedido por "compromissos anteriormente assumidos".A presidente da comissão, deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), não aceitou a desculpa. Ela disse que vai examinar três alternativas para assegurar sua presença: vai convocá-lo ou intimá-lo ou ainda vai pedir à CPI da Grilagem de Terras Públicas que utilize o poder de polícia de que dispõe para assegurar seu comparecimento à Câmara.O argumento nesse caso seria a denúncia de que a LBV teria invadido uma fazenda de 39 mil hectares em Mato Grosso.A deputada disse que a audiência com Paiva Neto estava inicialmente marcada para o dia 5 deste mês, mas foi adiada atendendo a um pedido dele.Na carta que enviou à comissão, ele afirma que a LBV está sendo vítima de "uma guerra santa", referindo-se às denúncias de que a entidade teria desviado boa parte dos recursos arrecadados para beneficência.Presente à audiência na comissão, o diretor de Arrecadação do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), Valdir Moysés Simão, informou que o instituto está investigando, com a ajuda do Ministério Público, as 200 maiores entidades filantrópicas do País, entre as quais estão a LBV e suas duas filiadas, a Fundação Paiva Neto e a Religião de Deus.De acordo com Valdir Simão, as três entidades deviam à Previdência, até janeiro último, R$ 28 milhões, correspondente ao não repasse da contribuição dos empregados descontada em folha de pagamento.Foram parcelados R$ 23 milhões desse débito e quitados mais R$ 2,7 milhões. Os R$ 2,3 milhões restantes estariam sendo negociados, informou Simão.Segundo ele, a isenção fiscal concedida às 6.280 entidades filantrópicas do País provoca um impacto de R$ 2 bilhões/ano na receita da Previdência. Desse total, R$ 1,3 bilhão decorrem da renúncia fiscal provocada pelas 200 empresas que estão sendo investigadas.

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