Diretor da Funai afirma ser vítima de ‘revanchismo’

Francisco José Nunes Ferreira diz que acusação de favorecimento a fornecedores no órgão é ‘infundada’; citado, Padilha promete abrir sindicância interna

André Borges, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2018 | 05h00

BRASÍLIA - O diretor de administração da Fundação Nacional do Índio (Funai), Francisco José Nunes Ferreira, disse que “não acolhe indicações políticas”. Ferreira classificou como “infundadas” as acusações de tentativa de favorecer empresas em contratos com o órgão, motivadas, segundo ele, por “revanchismo”. “Trata-se de servidor (Bruno Rebello) insubordinado, que tentou à revelia da diretoria concretizar diversas dispensas de licitações ou contratações emergenciais, sem obter êxito em suas empreitadas, por negativa deste diretor”, afirmou Ferreira. Bruno Rebello confirmou o teor das acusações, além de sua decisão de gravar as conversas e levar as denúncias ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Funai.

O ex-presidente da Funai Franklimberg Ribeiro de Freitas declarou que, ao tomar conhecimento das acusações, enviou as informações à corregedoria da fundação, onde o caso se encontra “sob análise”.

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O novo presidente da Funai, Wallace Bastos, afirmou que, “após consulta à corregedoria, verificou que não há denúncia formal que faça referência específica aos fatos narrados”, mas que “providenciará, com urgência, cópia das gravações junto ao Tribunal de Contas da União e que as medidas pertinentes serão tomadas, caso comprovada veracidade dos relatos.”

Procedimento. O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que não conhece o diretor da Funai e que “desautoriza qualquer uso indevido de seu nome”. “O ministro está solicitando ao ministro da Justiça que instaure procedimento próprio para apurar as responsabilidades decorrentes do caso”, informou a Casa Civil. 

O senador Romero Jucá (MDB-RR) negou que “tenha tratado sobre este assunto com qualquer pessoa da Funai e não autoriza a falar em seu nome”. O deputado André Moura (PSC-SE) confirmou que procurou o então presidente da Funai, Franklimberg Ribeiro de Freitas. Segundo Moura, seu pedido foi feito para atender a parlamentares da base ruralista. De acordo com o parlamentar, seu pedido foi atendido. 

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“Dias depois o general me ligou, disse que não tinha problema nenhum e que manteria ele lá. Só fiz o pedido para rever isso. A decisão foi do presidente da Funai”, afirmou Moura. “Essa é a minha função de líder. De fato, falei com ele, porque havia um pedido da bancada ruralista para isso.”

Moura não quis mencionar quais deputados da bancada ruralista pediram que a decisão de Franklimberg fosse revista. “Falei com vários ruralistas”, afirmou o deputado.

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