Diretor da Casa de Custódia nega pressão para saída

Apesar da pressão dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outros detentos descontentes com o rigor das normas da Casa de Custódia de Taubaté, o diretor do presídio de segurança máxima, José Ismael Pedrosa, desmentiu hoje que esteja sofrendo pressões para deixar a administração do estabelecimento penal. Ele também informou que nenhum comunicado oficial sobre uma possível transferência chegou ao seu conhecimento e desmentiu com veemência irregularidades quanto aos direitos dos detentos. "Nunca fui omisso a qualquer problema dentro do presídio", afirmou.Pedrosa se disse surpreso com rumores sobre sua saída, pois detém, desde 1993, um dos menores índices de fuga e de motins do sistema. Outro ponto que destaca como positivo em sua administração é ter as taxas internas de homicídio em padrões mínimos se comparadas a de outros presídios do sistema penitenciário estadual. Para ele, o presídio de Taubaté é atípico, onde dificilmente se conseguiria aplicar as mesmas normas das outras penitenciárias pela altíssima periculosidade de seus detentos e as rivalidades existentes. "O anexo é algo de administração muito difícil, mas eu jamais fui arbitrário", comentou.Em seus 42 anos como funcionário do sistema, Pedrosa esteve a maior parte do tempo na Custódia. Mas passou por duas vezes pela Casa de Detenção, nos períodos de 86 e novamente entre 88 e 92. E se diz convicto de sua forma de conduzir a rotina dos presidiários. Conhecido por seu caráter disciplinador, ele rechaça qualquer acusação de ter sido conivente com violências ou torturas de presos dentro dos presídios que dirigiu. Sempre que houve algum problema de excesso envolvendo um agente penitenciário foram abertos os inquéritos administrativos para apurar as responsabilidades. "Tenho convicção da minha maneira de disciplinar, mas sempre os direitos dos presos foram respeitados", explicou.Para ele, os presos estão explorando o momento para tentar desestabilizar os nomes que lhes convêm diante da opinião pública e do próprio governo estadual, inventando fatos e situações sem qualquer respaldo na realidade. Pedrosa acredita que os integrantes do PCC insistem em derrubá-lo por não terem regalias ou privilégios dentro da Custódia. O principal motivo, segundo o diretor, é a descaracterização destas facções na convivência diária, pois todos os detentos são tratados igualmente e sem distinção. "O PCC também está sendo supervalorizado e a postura do governo foi muito boa até agora", avaliou.Direitos humanos - A visita dos deputados federais da Comissão de Direitos à Casa de Custódia também recebeu críticas por parte do diretor. Segundo ele, o presidente da Comissão, Marcos Rolim (PT-RS) - autor de um relatório no qual afirma que o lugar é desumano e pratica ilegalidades diante da lei de execuções penais -, sequer quis visitar o anexo, local que foi destruído num motim em dezembro último. Seus colegas também se recusaram a conversar com as equipes médicas do presídio, apesar de estarem avaliando as condições de tratamento de saúde dadas no estabelecimento. "O deputado Rolim mal quis ver o anexo e fez várias críticas infundadas", comentou Pedrosa.Os dois pontos mais salientados pelos deputados foram a falta de visitas íntimas e o curto tempo de banho de sol. Segundo o diretor, pelas características singulares do presídio, a abertura do lugar para visitas íntimas seria uma maneira de provocar uma série de levantes com reféns no estabelecimento, além de facilitar a entrada de objetos proibidos. Os 30 minutos diários de sol foi estabelecido por questões de segurança interna e dos próprios presos. Como o número de grupos rivais é muito grande e há muitas rixas pessoais, os condenados são liberados para o pátio em pequenos grupos, de, no máximo, 20 detentos.

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