Diretor da ANP nega fraude com royalties do petróleo

Martins diz que dossiê é ?apócrifo? e teria sido feito por um ?araponga?

Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2009 | 00h00

O diretor da Agência Nacional de Petróleo (ANP), Victor Martins, negou ontem envolvimento em supostas irregularidades na distribuição dos royalties do petróleo a prefeituras do Rio. Segundo a revista Veja, Martins estaria sendo investigado pela Polícia Federal por participar de negociação para facilitar o pagamento de R$ 1,3 bilhão em royalties a prefeituras fluminenses. Martins afirmou que o dossiê contra ele, supostamente feito pela Polícia Federal, é "apócrifo" e foi produzido por um "araponga". Relacionou ainda a citação de seu nome ao fato de ser irmão do ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Franklin Martins."Querem me atingir. De 20 dias para cá, deixei de ser o Victor Martins e passei a ser irmão do ministro da Comunicação Social", disse, em depoimento na Comissão de Minas e Energia da Câmara. Ao lado da mulher, Josenia Seabra, que também depôs na comissão, ele admitiu ser sócio da Análise Consultoria e Desenvolvimento e garantiu que na ANP "é impossível" um diretor deliberar sozinho sobre royalties. "Todos os atos foram feitos dentro da legalidade. A ANP não é beneficiária de qualquer recurso proveniente de royalties", afirmou. "Dessa forma é impossível haver algum desvio pela ANP."Acompanhado da cúpula da agência, Martins considerou "escandalosa" a informação de que sua empresa receberia R$ 260 milhões de comissão por negociação na distribuição de royalties. "No conjunto, os municípios receberam R$ 130 milhões. Como iam pagar R$ 260 milhões para minha empresa?" Sua mulher, que está à frente da empresa desde maio de 2005, quando Martins assumiu mandato na ANP, disse que a Análise não tem hoje nenhum contrato com prefeituras. Ela reconheceu, porém, que a empresa já teve contrato com a Prefeitura de Vila Velha (ES). O contrato, segundo ela, terminou em 2008. "Esse contrato foi ganho por edital, em 2004, quando o Victor estava à frente da empresa e não era da ANP."O faturamento da Análise, em 2008, foi de R$ 78.125. "Não fechamos a empresa porque o mandato de diretor de agência tem tempo para acabar. E, quando isso acontecer, ele (Martins) volta para a casa e a vida continua", disse Josenia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.