Diretor da Abin diz que há indícios de grampos de Dantas

Paulo Lacerda diz que ajudou Operação Satiagraha a pedido de Protógenes, delegado do caso do banqueiro

Carina Urbanin, da Agência Estado

20 de agosto de 2008 | 19h04

O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, chamou atenção, durante depoimento nesta quarta-feira, 20,  à  CPI dos Grampos, para indícios de que o sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas, teria praticado grampos clandestinos. Lacerda também garantiu aos parlamentares que a Abin não tem equipamentos de escuta telefônica nem faz nenhum tipo de monitoramento ilegal. Veja também:Deputado pede à CPI acareação de Dantas e ProtógenesSTF impede envio de dados da Operação Chacal à CPIReferência de Dantas a filho de Lula irrita PlanaltoEntenda como funcionava o esquema criminoso As prisões de Daniel DantasMesmo protegido na CPI, Dantas ataca PF e envolve governoDantas diz que Protógenes 'quer criar dificuldades' De acordo com informações da Agência Câmara, Lacerda lembrou que a Operação Chacal da Polícia Federal revelou esses indícios. E destacou que os mesmos indícios apareceram em uma outra investigação que ele mesmo pediu para ser feita após a divulgação de reportagem da revista Veja sobre um suposto dossiê com dados sobre contas de Lacerda no exterior. Segundo Lacerda, essas duas investigações apontaram indícios de que Dantas teria feito grampos e de envolvimento de funcionários da empresa Kroll. Para Lacerda, a declaração de Dantas de que estaria sofrendo perseguição por parte do governo é uma estratégia de advogados para mudar o foco da investigação. "Palmas para os advogados, porque o que estamos fazendo neste momento é discutir o papel dos investigadores e não dos investigados", ironizou.O diretor da Abin classificou o relacionamento da agência com a PF como intenso, inclusive com o treinamento de servidores da PF. O diretor-geral da Abin ressaltou, entretanto, que seus agentes não estão autorizados a dar treinamento de grampo para servidores de outros órgãos. Ele admitiu que conhece há oito anos o delegado Protógenes Queiroz, que comandou as investigações da Operação Satiagraha. Lacerda elogiou o delegado, mas reafirmou que Protógenes não o procurou para obter a participação da Abin na operação Satiagraha. "Os contatos foram feitos diretamente pelo delegado com outros oficiais da Abin com quem ele já havia trabalhado", afirmou. Ele ressaltou que a PF tem mais de 140 mil inquéritos em andamento e que nem sempre a colaboração nas investigações é formalizada em documentos. "Muitas vezes os contatos são feitos diretamente entre servidores de mesmo nível, em órgãos diferentes", explicou. Lacerda pediu para ser ouvido pela CPI, depois que Dantas o acusou, em depoimento à comissão de ter "orquestrado por vingança" a Operação Satiagraha, na qual foram presos (e depois soltos) Dantas, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e outros suspeitos de envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

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