Diretor afastado na TV Cultura define futuro amanhã

Afastado na quinta-feira do cargo de diretor de jornalismo da TV Cultura, o jornalista Gabriel Priolli disse que deve definir amanhã seu futuro na emissora. Priolli havia sido nomeado havia uma semana para a função, mas foi demitido subitamente pelo presidente de conteúdo da TV, Fernando Vieira de Mello, que o chamou à sua sala às 19h de quinta.

EQUIPE AE, Agência Estado

11 Julho 2010 | 18h56

A demissão de Priolli fez eclodir uma suspeita de que o fato tivesse motivação política. O jornalista tinha pautado uma matéria (jargão jornalístico para encomendar a uma equipe a realização de uma reportagem) sobre os pedágios nas rodovias paulistas - tema que incomoda o ex-governador José Serra, candidato à presidência da República pelo PSDB. Serra tem grande influência na emissora - recentemente, indicou para o cargo seu ex-secretário de Cultura, João Sayad.

"Eu agradeço (a ligação), mas vou manter silêncio. Ainda sou funcionário da TV Cultura e vou definir minha situação amanhã, em reunião com Ronaldo Bianchi (vice-presidente da fundação", disse Priolli.

O jornal O Estado de S.Paulo apurou que a emissora vai oferecer duas alternativas a Priolli. O jornalista, Prêmio Esso de Jornalismo em 1988, trabalhou em Veja, Folha de S. Paulo e no Estado de S.Paulo, Jornal da Tarde, Carta Capital e Época. Foi editor do Jornal Nacional e editor-chefe do telejornal São Paulo Já, da TV Globo. Trabalhou como diretor na Rede Bandeirantes, editor-chefe na Rede Record e diretor-executivo de jornalismo da TV Gazeta de São Paulo. É um dos mais destacados funcionário e colaboradores da TV Cultura há mais de uma década.

A direção da Fundação Padre Anchieta (que gere a TV Cultura) negou fundamento político na demissão de Priolli. "Foi uma escolha equivocada (a de Gabriel Priolli para o cargo). A TV Cultura agiu rápido (e fez a troca)", disse João Sayad, presidente da fundação. Sobre motivações políticas, ele afirmou: "Não foi uma decisão política. A TV Cultura jamais foi partidária".

A reportagem em questão, sobre o alto preço dos pedágios paulistas, ouviu Geraldo Alckmin e Aluizio Mercadante, candidatos ao governo do Estado. A produção do material tentou ouvir a Secretaria dos Transportes, que não se pronunciou a respeito e não quis enviar uma nota oficial. Segundo fontes políticas, a campanha de José Serra demonstra irritação com a abordagem do assunto - que está sendo tratado inclusive pelo candidato governista ao Palácio dos Bandeirantes, Geraldo Alckmin.

O caso sucedeu a um outro ato que é considerado de fundo político na emissora, o afastamento do jornalista Heródoto Barbeiro do cargo de apresentador do programa de entrevistas Roda Viva. Barbeiro fez uma pergunta incômoda a Serra durante o programa, também sobre os pedágios. Inquiriu o ex-governador se a defesa deste da supressão de tributos não seria contraditória, já que, durante sua gestão, os preços praticados nos pedágios foram elevados. Na semana passada, Barbeiro foi substituído por Marília Gabriela.

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