Diretor afastado da Abin admite que 56 agiram na Satiagraha

Lacerda diz que agentes podem ter atuado de 'forma pontual' na operação, mas poucos de 'forma permanente'

da Redação,

17 de setembro de 2008 | 12h26

O diretor-geral afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, negou nesta quarta-feira, 17, que houve contradição em depoimentos sobre número de agentes do órgão que teriam participado da Operação Satiagraha, segundo informações da Agência Senado. "Acho que não há contradição nos depoimentos dados sobre essa questão, mas apenas confusão. Pode ter havido a participação de 52 ou 56 pessoas de forma pontual, mas apenas algumas pessoas atuaram de forma permanente", disse.  Veja Também:Grampos: Entenda a crise Cronologia e alvos da Operação SatiagrahaComissão não obrigará ex-agente da SNI a responder, diz STF A revelação de que havia 52 agentes da Abin na Satiagraha selou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retirar definitivamente Lacerda do comando da agência. Ele foi afastado temporariamente no dia 1º, depois da divulgação do grampo de uma conversa telefônica entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO). Lacerda presta depoimento na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência do Congresso Nacional. Parte da reunião deverá ser fechada.  Já o ex-diretor do Departamento de Contra-Inteligência, da Abin,  Paulo Maurício Fortunato Pinto, relatou aos parlamentares o processo de solicitação de apoio da Abin à Polícia Federal na Operação Satiagraha. Conforme Paulo Maurício, a agência disponibilizou uma média de oito servidores para colaboração com a Polícia Federal. Ele negou informação de que tenha havido mais de 50 pessoas da Abin contribuindo, ao mesmo tempo, com a operação. Sobre as denúncias de escutas telefônicas de autoridades, Lacerda voltou a afirmar que não há provas de que a Abin tenha efetuado tais grampos. Na discussão, os senadores Heráclito Fortes (DEM-PI) e Alvaro Dias (PSDB-PR) lembraram matérias publicadas pela revista Veja com conteúdo das escutas.Em resposta, Lacerda questionou o fato de a revista não ter apresentado as gravações às autoridades competentes, para confirmar a responsabilidade dos grampos. Ele também ressaltou que está em curso inquérito para identificar quem fez a escuta. Mais depoimentos Serão ouvidos ainda o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Jorge Armando Félix, o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, e outros dirigentes de departamentos da Abin. Após a declaração de Lacerda, o ex-diretor do Departamento de Contra-Inteligência da Abin Paulo Maurício Fortunato Pinto começou a explicar a relação entre a Abin e o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, afastado da Satiagraha. A operação resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do megainvestidor Naji Nahas e do ex-prefeito Celso Pitta. A CPI dos grampos da Câmara espera nesta quarta-feira a presença do ministro da Defesa, Nelson Jobim. O depoimento inicial do ministro seria na semana passada, mas acabou adiado para esta semana por orientação do governo, que procura esfriar o assunto dos grampos. Além da declaração de que a Abin teria malas de escuta telefônica, assunto inicial do convite da comissão, o ministro Jobim deverá falar na CPI sobre a revelação publicada na revista "Época" desta semana, de que serviços secretos das Forças Armadas ajudaram a PF na investigação da Satiagraha. Texto atualizado às 13h30

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