Diretor afastado admite que 'maleta' da Abin pode fazer grampo

Campana depôs à CPI dos Grampos; equipamentos estão sendo vistoriados por comissão de técnicos do Exército

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2008 | 20h19

Afastado há três dias do cargo, o diretor-adjunto da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), José Milton Campana, admitiu  nesta quarta-feira, 3,  à CPI dos Grampos , que equipamento da Abin é capaz de fazer escutas em um raio de, no máximo, cem metros. Os equipamentos da Abin estão sendo vistoriados por uma comissão de engenheiros e técnicos do Comando do Exército para averiguar se as chamadas "maletas de varredura" limitam-se a vasculhar a existência de grampos, conforme garantiu o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, a quem a Abin é subordinada. A maleta  contém um equipamento que se assemellha a um laptop e possui programas que realizariam não só "varredoras" mas também interceptações telefônicas. Os grampos são feitos sem precisar das operadoras de telefonia.  Veja Também:CPI dos Grampos convoca Jobim e diretores da Abin e PFEntenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Veja como foi o depoimento do diretor à CPI Especial explica a Operação Satiagraha Multimídia: As prisões de Daniel Dantas Lula manda investigar compra de 'maleta de grampo' na AbinPF está empenhada em saber quem grampeou STF, diz TarsoGoverno vai avaliar se equipamentos da Abin são para escutas PSDB quer CPI dos grampos no Senado; Garibaldi nega necessidade Crise acirra disputa entre Polícia Federal e Abin  "Os equipamentos não teriam capacidade de qualquer escuta a mais de cem metros. Estamos com uma comissão do Exército na Abin e pelo que ouvi preliminarmente em um terreno limpo, sem nenhuma barreira, poderia acontecer alguma coisa", disse Campana, ao depor. No depoimento, o diretor afastado da Abin, que foi agente do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), afirmou ainda que "não tem dúvidas" que está grampeado. Ele argumentou que é praticamente impossível detectar escutas telefônicas clandestinas. "É quase impossível a Abin coibir grampos ilegais". No depoimento, Campana garantiu que as maletas servem apenas para fazer varreduras ambientais. "A Abin não atua à revelia da legislação pertinente. Não fez e não faz interceptação telefônica. A Abin não atua no submundo, de forma sub-reptícia; não trabalha contra o Brasil. Ao contrário, dedica-se a contribuir para a segurança do Estado brasileiro", afirmou o diretor afastado. "A Abin não realizou, não patrocinou ações espúrias", completou.  Segundo o diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento para Segurança das Comunicações da Abin, Otávio Carlos Cunha da Silva, o equipamento não serve para fazer interceptações telefônicas."É impossível fazer interceptação telefônica de celular com esse tipo de equipamento", garantiu Otávio Carlos. Mas ele admitiu que o equipamento de varredura da Abin é capaz de fazer escuta ambiental desde que haja um "transmissor de alta potência" no ambiente grampeado. "Se tiver paredes, vidros, portas não passa de 25 metros, 30 metros", observou.  O equipamento da Abin é o Omni Spectral Correlator - OSC 5000 que, segundo Campana, foi adquirido em 2006 para o trabalho de inteligência e contra-espionagem para os Jogos Panamericanos, que ocorreram em julho de 2007, no Rio de Janeiro. Essas maletas pesam 13 quilos, de acordo com o diretor Otávio Carlos, e custam com todos os acessórios cerca de 30 mil dólares. "As maletas que interceptam ligações telefônicas têm quebra de algoritmo, o que permite escutar as conversas", explicou o diretor de Comunicações. "Compramos esse equipamento com a finalidade de fazer varreduras, que frequentemente são solicitadas à Abin", disse Campana.

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