Diretor adia demissões na Casa

Decisão contraria comissão que analisou atos secretos

Leandro Colon e Carol Pires, O Estadao de S.Paulo

04 de agosto de 2009 | 00h00

A diretoria-geral do Senado encontrou uma forma de tentar salvar os funcionários nomeados por ato secreto, entre eles o namorado de uma neta do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP). O diretor-geral Haroldo Tajra contrariou recomendação de comissão especial - que é também uma posição da advocacia-geral - e decidiu não demitir imediatamente quem foi nomeado ilegalmente. Pelo menos 80 funcionários foram beneficiados.Tajra deve pedir nesta semana a abertura de processos administrativos individuais para analisar cada nomeação por ato secreto, cuja existência foi revelada pelo Estado no dia 10 de junho.Comissão criada por Sarney recomendou a exoneração imediata com base em um ato dele próprio que declarou a nulidade desses boletins. O diretor-geral, porém, preferiu seguir outro caminho. Ao todo, 511 atos secretos foram editados no Senado nos últimos 14 anos - período em que Agaciel Maia foi diretor-geral da Casa. "Vai ser aberto um processo em relação à situação de Henrique (Dias Bernardes), ex-namorado da neta do presidente do Senado e de outras pessoas em situação semelhante. Com a conclusão desses processos é que vamos decidir o que fazer", explicou Tajra. Quando foi nomeado, em março do ano passado, Henrique era namorado de Maria Beatriz, neta de Sarney e filha do empresário Fernando Sarney. Ele está entre os 218 servidores que foram contratados por ato secreto, segundo apuração preliminar da comissão responsável. Destes, 80 continuam no quadro de funcionários do Senado. Tajra explicou que, com a conclusão dos processos relativos a Henrique Bernardes e outros semelhantes, decidirá o que será feito em relação aos demais casos. "Vamos abrir um processo individual para pessoas que foram nomeadas por atos secretos, averiguar os fatos e chegar a uma conclusão do que vai ser feito."

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