Direto da Rocinha: 'Agora, podemos ir e vir com tranquilidade'

Um mês após ocupação da maior favela do país, morador diz à BBC Brasil que sai com os filhos sem medo de tiroteio.

BBC Brasil, BBC

13 de dezembro de 2011 | 16h48

A Rocinha completa nesta terça-feira um mês sob ocupação das forças de segurança, que entraram na maior favela do país em 13 de novembro para tirar o território do controle de traficantes.

Morador da Rocinha há mais de 30 anos, P.J. testemunhou o processo de ocupação em um diário para a BBC Brasil, escrito sob condição de anonimato.

Um mês depois, ele relata as mudanças percebidas pela comunidade. Leia abaixo seu depoimento:

"A diferença aqui é muito grande em relação ao que era. Vemos o poder público realmente entrando e não tem mais aquela coisa de ser tudo irregular - gás e TV a cabo, por exemplo.

Antes, o monopólio da venda de gás era dos traficantes. Agora as empresas podem entrar aqui.

Também temos mais infraestrutura, com guardas controlando o trânsito e impedindo as pessoas de andarem de moto sem capacete. Também temos mais iluminação nas ruas.

Por enquanto, não percebi tensão. A polícia está armada, mas não fica com a arma em punho. As pessoas estão podendo ir e vir com mais tranquilidade.

Eu posso ir com meus filhos à pracinha sem medo de tiroteio, de bala perdida. A lei está valendo. Antes, (saíamos à rua) sem saber o que ia acontecer.

Os traficantes continuam (presentes). A gente vê quem ficou (após a ocupação). Os mais procurados foram embora; os que ficaram, que eu saiba, não estão vendendo drogas, estão escondidos.

A gente sabe que o tráfico não vai acabar porque a demanda existe; eles vão continuar vendendo em algum canto. Mas boca (ponto de venda) fixa não tem mais por aqui.

Claro que tem gente (da Rocinha) que gostava as coisas como eram antes, mas acho que a maioria das pessoas está a favor (da ocupação).

Não sabemos se será duradouro, tem gente que tem medo de que (a paz) só dure até as Olimpíadas de 2014. O povo não é bobo, sabe que tem interesse político (por trás). Temos que aproveitar enquanto pudermos." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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