Antonio Augusto/Câmara dos Deputados
Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Direção nacional do Podemos mantém expulsão de Marco Feliciano

Sigla efetiva saída de deputado citando apenas infidelidade partidária pelo apoio ao presidente Jair Bolsonaro

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2020 | 17h06
Atualizado 06 de janeiro de 2020 | 21h53

BRASÍLIA – A cúpula nacional do Podemos manteve a expulsão do deputado Pastor Marco Feliciano (SP), efetivando sua saída do partido. A direção da sigla “aliviou”, porém, os motivos para expulsá-lo, deixando na justificativa apenas a infidelidade partidária pelo apoio ao presidente Jair Bolsonaro.

Após a decisão, tomada nesta segunda-feira, 6, na capital paulista, Feliciano disse ao Estadão/Broadcast que só espera um sinal de Bolsonaro para se filiar ao Aliança pelo Brasil. “Aguardando ordens do meu presidente”, afirmou.

Vice-líder do governo no Congresso, Feliciano afirmou que, “se for preciso”, ajudará Bolsonaro a coletar assinaturas até mesmo em igrejas para efetivar a criação do Aliança no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Para ele, no entanto, é “difícil” o novo partido ser oficializado até o fim de março, a tempo de disputar as eleições municipais deste ano.

O Podemos, por sua vez, tenta se afastar do bolsonarismo para se consolidar como o “partido da Lava Jato” no Congresso. O comando da sigla espera agora atrair senadores que condicionavam suas filiações à saída de Feliciano.

Próximo a Bolsonaro, Feliciano foi o deputado federal que mais teve emendas parlamentares pagas pelo Planalto em 2019. Isso levou o Podemos a ser um dos partidos mais beneficiados no pagamento de recursos para redutos eleitorais, conforme ranking revelado pelo Estado na segunda-feira, 6. Com a saída de Feliciano, o partido pode perder participação na liberação de emendas.

O deputado foi expulso por decisão da direção do Podemos em São Paulo, no dia 9 de dezembro, como antecipou o Estadão/Broadcast. Entre os motivos citados estavam os gastos de R$ 157 mil referentes a um tratamento odontológico do deputado. O valor foi reembolsado pela Câmara, como revelou o Estado.

No último dia 18, Feliciano recorreu dos motivos da expulsão e pediu ainda para que sua saída do Podemos constasse apenas como sendo por infidelidade partidária. 

A presidente do Podemos, Renata Abreu (SP), solicitou que os motivos da expulsão fossem alterados, após ter sido surpreendida pela extensão da decisão tomada pela seção paulista da legenda, comandada pelo vereador Mario Covas Neto, que se licenciou da cúpula do partido em São Paulo após o caso.

“Reafirmo aqui que para mim é motivo de orgulho ser expulso do Podemos por defender o presidente Bolsonaro, que está mudando o Brasil para melhor”, afirmou Feliciano em nota. Como foi expulso, o deputado não corre o risco de perder o mandato na Câmara dos Deputados.

Feliciano apontou, ainda, a influência do líder do Podemos no Senado, Álvaro Dias (PR), e do vereador Covas Neto em sua expulsão. “Covas Neto e Álvaro Dias só pensam em seus projetos pessoais e eleitoreiros, em detrimento dos interesses do Brasil e de São Paulo”, atacou o deputado.

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