Direção do Incra teme violência em Marabá

O acampamento montado por cerca de dois mil lavradores sem terra e assentados dos municípios de Itupiranga e São João do Araguaia dentro dasede do Incra em Marabá, no sul do Pará, começou a provocar desconforto e medo nos funcionários do órgão. Eles temem que os gabinetes e salas também sejam invadidos, como ocorreu no começo da tarde deste domingo com o pátio da sede.Os invasores dizem que seu protesto é contra a paralisação das ações de reforma agrária há maisde três meses na região por parte do governo federal. Eles afirmam que os assentamentos estão abandonados e reivindicam a desapropriação imediata de 60 fazendas.E prometem que só deixarão o local com a presença em Marabá do ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rosseto, e do presidente do Incra, Marcelo Rezende. "Queremos debater com eles uma solução para o problema", disseram Eurival Martins Carvalho e Ronaldo Monteiro, dirigentes doMovimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri) e organizadores da ocupação.Monteiro esteve reunido pela manhã com o superintendente em exercício do Incra naregião, Marlon Ferreira. "Dissemos a ele que não temos nada contra o Incra ou seus funcionários." Ferreira disse temer violência ou ameaça à integridade física dos servidores. Monteiro prometeu que o protesto será pacífico."O Incra é nosso e precisamos zelar por ele, mas também queremos vê-lo funcionando e fazendo a reforma agrária", resumiu o sindicalista. As Polícias Federal e Militar estão de sobreaviso em Marabá. Elas, porém, só vão intervir se houver solicitação direta do ministro Miguel Rosseto ou da direção do Incra na região.Em Brasília, assessores do Ministério do Desenvolvimento Agrário informaram que Rosseto está acompanhando a movimentação dos sem-terra em Marabá. O ouvidor agrário nacional, Gersino da Silva Filho, pode viajar a qualquer momento para a região e negociar a desocupação da sede do Incra.

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