Dirceu vê ''''tentação golpista'''' na oposição

Ex-ministro transforma lançamento de site em ato de defesa do governo

Vera Rosa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

A 15 dias do veredicto do Supremo Tribunal Federal (STF), que vai decidir se aceita a denúncia do mensalão, o ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu transformou ontem o lançamento de seu site, em Brasília, num ato de apoio à sua absolvição e em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao pregar a reação dos aliados às vaias e ao movimento Cansei, Dirceu disse que existe uma "tentação golpista" no Brasil, capitaneada por setores do PSDB e do DEM, em conjunto com parte da imprensa."Há uma tentação golpista, mas ninguém assume, ao contrário da UDN", afirmou o ex-ministro, numa referência à União Democrática Nacional, partido criado em 1945 que se opôs fortemente ao governo de Getúlio Vargas. Para Dirceu, o Cansei - lançado por empresários, com apoio da seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - não tem uma bandeira de luta. "O que acontece é que setores da oposição e da mídia ficam na expectativa de dar um golpe de mão, como num passe de mágica, e tirar Lula do governo", insistiu.Dirceu reconheceu que o PT também foi movido pela mesma tentação,"erroneamente", quando era oposição. "Em 1993, quando o PT aprovou o ?Fora Itamar?, eu disse para o Lula: ?Você perdeu a eleição de 1994?", contou. Deu outro exemplo: em 1999, no 2º Congresso do PT, em Belo Horizonte, ele convenceu o partido a rejeitar o "Fora FHC", alegando que não poderia continuar presidindo a sigla se o bordão fosse aprovado.Saudado com abraços e apertos de mão por velhos companheiros, Dirceu pregou o contra-ataque do PT e dos movimentos sociais para defender o governo. "Não podemos concordar com a desqualificação que estão fazendo do Lula e da nossa administração", reagiu.Acusado pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, de chefiar uma "organização criminosa" instalada no coração do governo para desviar recursos públicos, o ex-poderoso chefe da Casa Civil já percorreu 20 Estados em reuniões com militantes do PT, empresários, juristas e advogados e visitará outros cinco até o julgamento, que começa no dia 22 e vai até o fim do mês. Está em campanha para retornar à cena política e quer exibir apoios de peso para pressionar o STF a rejeitar a denúncia contra ele.SINAL VERMELHONa noite de ontem, além do site, ele distribuiu um livro de 107 páginas, intitulado Em Defesa de Dirceu, com informações sobre o processo, a cassação de seu mandato, em novembro de 2005, e a denúncia do Ministério Público. "Se a denúncia for aceita, quero ser julgado em no máximo dois anos", afirmou. "Não posso ficar como réu sem julgamento, não quero prescrição nem impunidade."Em vários momentos, Dirceu fez comentários sobre o governo como se ainda fosse ministro. Disse, por exemplo, que é preciso mais atenção ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Se em 18 meses o governo não tiver cumprido 2/3 das metas, podemos acender a luz vermelha", observou. O PAC foi lançado em 22 de janeiro e não saiu do papel em muitos Estados.O ex-ministro admitiu que o governo "demorou" a tomar providências para atacar a crise aérea e defendeu mudanças na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). "Mas a oposição foi contra quando nós queríamos o contrato de gestão nas agências", ressalvou. Dirceu repetiu, ainda, que não indicou a polêmica Denise Abreu para a diretoria da Anac. "Ela já trabalhou até com o Mário Covas, que não nomeava qualquer um."

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