Dirceu vai depor sobre caso Celso Daniel

O ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) terá de explicar nesta quinta-feira ao Ministério Público Estadual qual a origem e o destino de recursos que teriam sido repassados de Santo André ao PT na campanha eleitoral de 2002. Investigação da promotoria criminal aponta Dirceu como suposto recebedor de dinheiro desviado dos cofres públicos de Santo André por meio de um esquema de corrupção e fraudes nos processos de licitação. Ele foi notificado para depor a partir de 14 horas.Também deverá depor Paulo Frateschi, presidente estadual do PT, como testemunha. A promotoria quer saber como o partido pagou os honorários do advogado Aristides Junqueira, ex-procurador-geral da República, que foi contratado para defender o PT em Santo André. "A suspeita é que o dinheiro saiu do valerioduto", anotou o promotor Roberto Wider. "Queremos saber de Frateschi se no momento da contratação do advogado já se tinha noção de que o dinheiro sairia do valerioduto ou se havia previsão orçamentária."Dirceu será ouvido como investigado. Nessa condição tem o direito de ficar calado. Ele foi apontado pela Procuradoria da República como "chefe da organização criminosa" que teria sido montada para operar o mensalão. Dirceu nega.Um irmão de Celso Daniel, o médico João Francisco Daniel, denunciou aos promotores que, em 2002 - uma semana depois do assassinato de Celso -, ouviu de Gilberto Carvalho, secretário particular do presidente Lula, que parte do dinheiro da corrupção era enviado à cúpula do PT, então dirigido por Dirceu."É isso que queremos investigar: se o dinheiro foi para Dirceu, qual o destino dado a ele?", disse o promotor Wider. "E queremos saber como foi feita a lavagem do dinheiro aqui em Santo André."

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