Dirceu tenta mais uma vez afinar relação entre governo e PT

Na tentativa de mobilizar os deputados do PT em defesa das reformas e de outros interesses do governo na Câmara, o chefe da Casa Civil, José Dirceu, terá uma reunião terça-feira à noite com o grupo de coordenadores da bancada do partido. O Palácio do Planalto e os líderes governistas identificaram nos últimos dias um "agravamento" nas relações entre o governo e o PT, o que é considerado um "risco grande" neste momento em que se inicia a discussão do mérito das reformas da Previdência e tributária. No encontro com os coordenadores da bancada, que somam mais de 30 deputados, Dirceu levará ainda um recado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: o governo não pode mais ser surpreendido por decisões da Câmara. A bronca do presidente é especificamente contra duas medidas adotadas semana passada pelos deputados: a criação da chamada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco do Estado do Paraná (Banestado), idéia que havia sido engavetada pelo Senado uma semana antes; e a aprovação de um convite da Comissão de Economia da Casa para que o vice-presidente José Alencar exponha as idéias sobre política cambial.Uma das tarefas dos líderes governistas esta semana é justamente encontrar uma brecha regimental para eliminar os efeitos desse convite ao vice-presidente, proposto pelo deputado tucano Leo Alcântara (CE). "Foi uma desarticulação e vamos corrigir", admitiu hoje o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA).Pellegrino reconhece também que a base aliada não está se preparando devidamente para o debate e defesa dos projetos de interesse do governo. "Precisamos combinar o jogo mais previamente. Sentar, discutir os projetos para chegar ao plenário já combinados", afirmou.Para o deputado Paulo Bernardo (PT-PR), da ala governista, os problemas na relação do governo com a bancada podem ter como pano de fundo a insatisfação de muitos com os rumos da política econômica. Mas diz que a dificuldade maior no relacionamento é mesmo operacional. "A bancada não está totalmente organizada e o governo, em alguns casos, dificulta essa relação. Mas nós (os moderados) estamos trabalhando internamente para acertar o passo e o ministro José Dirceu está ciente das dificuldades na articulação."RevezamentoO ministro e os deputados mais afinados com o Palácio do Planalto tentarão também montar um esquema de revezamento dos bons oradores para responder aos ataques da oposição, um dos pontos vulneráveis da articulação política.A avaliação é de que o PT e demais partidos aliados estão retraídos na função de defender as propostas de interesse do governo. Nas segundas e sextas-feiras, por exemplo, a oposição toma conta dos discursos no plenário. E raramente aparecem os defensores de Lula e de sua política.

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