Dirceu se diz injustiçado e quer ser julgado logo para provar a inocência

João Paulo afirma que 'não há nada mais duro para um homem do que ser acusado por algo que não deve'

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2029 | 00h00

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, que será processado por corrupção ativa e formação de quadrilha, afirmou ontem que considera "injusta" a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de acatar as denúncias contra ele no caso do mensalão. Ao se pronunciar sobre o assunto, por meio de nota em seu site na internet, ele voltou a dizer que foi acusado, sem nenhuma prova, de chefiar a "quadrilha" que operava o esquema."A decisão do Supremo Tribunal Federal de aceitar parcialmente a denúncia contra mim formulada pelo procurador-geral da República é injusta, mas não me surpreende, diante das circunstâncias que cercaram esse julgamento", comentou o ex-ministro, que esperou até o encerramento da sessão do Supremo para divulgar a nota. "Venho sendo prejulgado em praça pública, acusado, denunciado e agora sou réu por corrupção ativa e formação de quadrilha. Reitero o que sempre afirmei: tive o mandato cassado sem provas e agora sou réu também sem provas."Dirceu ressaltou que jamais abandonou a "luta política e social", além da militância no PT, apesar das acusações. O ex-ministro aproveitou para entoar mais uma vez a tese com que embasou a maioria de suas declarações desde o início do escândalo: "Quero ser julgado o mais rapidamente possível para provar minha inocência."Ele afirmou ainda que não aceitará que a condição de réu seja "eternizada" em decorrência da prescrição, que, segundo ele, é "totalmente indesejada". "Sou inocente e vou provar isso no julgamento a que quero ser logo submetido", afirma a nota. " Confio na Justiça e aproveitarei o julgamento para provar minha inocência e desmascarar os que hoje me acusam."Ao insistir em que não foram apresentadas provas dos crimes pelos quais será julgado, Dirceu disse que as acusações foram baseadas em declarações de terceiros, fatos não comprovados e suposições.?DISPUTA POLÍTICA?Na nota publicada ontem, Dirceu também avaliou seu julgamento como resultado de uma "disputa política" envolvendo o PT e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Para além das denúncias e das acusações de caixa 2 e do chamado mensalão, o que está em jogo não é apenas a minha vida política e a minha história, mas o projeto político que o PT e o presidente Lula representam", afirmou ele, citando, ainda, "as tentativas da oposição conservadora e da elite de inviabilizar o governo Lula a todo custo"."O conservadorismo brasileiro não absorveu e jamais aceitará que a agenda dos movimentos sociais traga para o Estado brasileiro a determinação política de corrigir assimetrias intoleráveis que o privilégio secular de uma minoria impõe à maioria dos homens, mulheres, jovens e crianças deste país."Na tentativa de fortalecer a tese de que será inocentado ao fim do processo, Dirceu lembrou que as acusações contra ele nos casos Waldomiro Diniz - seu ex-assessor no Ministério da Casa Civil, acusado de receber propina - e de Santo André - denúncias de corrupção na administração petista - não prosperaram. Ele disse ainda que, com exceção dos processos abertos nos tempos da ditadura militar, nunca foi investigado ou processado."Recebo com serenidade a decisão da Suprema Corte de meu país e a respeito, mas não concordo com o veredicto que me tornou réu. Vou me defender na Justiça e continuar minha luta pelo Brasil. Não temo o julgamento da Justiça."?INDIGNADO?A nota distribuída ontem por Dirceu seguiu um tom semelhante ao documento divulgado por outro petista, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP). O parlamentar, que responderá a processos por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato, também utilizou seu site para comentar o caso. Em nota aberta com os versos de Gonçalves Dias, disse sentir "indignação" diante da decisão. "Não há nada mais duro para um homem do que ser acusado por algo que ele não deve", disse, prometendo comprovar "a verdade dos fatos".Segundo João Paulo, uma "leitura imparcial" de sua defesa comprova "a inépcia das acusações, indicando que a aceitação da denúncia por si só acaba por configurar-se uma injustiça". João Paulo citou ainda a sua absolvição na Câmara e disse ter se submetido ao julgamento popular ao disputar as eleições do ano passado e obter mais um mandato de deputado federal. "Com uma campanha destemida e acompanhada da verdade, fui o deputado federal mais votado do PT no Estado", disse. "Continuo seguro que, mesmo que demore, ainda se fará justiça; ainda que seja à custa do desgaste de reputações."Além de conter a nota, o site de João Paulo na internet também deu destaque a um jantar que será realizado na próxima quinta-feira e servirá como ato de desagravo aos réus do mensalão. O evento será realizado em uma churrascaria, na capital paulista.

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