Dirceu quer "divórcio" de PSDB e PMDB

O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu, afirmou, nesta terça-feira, que se o PSDB não se divorciar do PMDB de Jader Barbalho sofrerá prejuízos eleitorais. "Se os tucanos continuarem na aliança com Jader, vão carregar a mácula da corrupção", previu Dirceu, numa referência às denúncias de desvio de dinheiro do Banco do Estado do Pará (Banpará) que pesam contra o presidente do Senado.Na opinião de Dirceu, a população começará a ver "dois PSDBs" a partir de agora: "um ético e outro envolvido em denúncias". O líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), concorda. "Covas era um freio de mão em relação ao governo federal", comparou.A cúpula do PT acha que a oposição será favorecida nas eleições de 2002 por causa da crise política. No entender dos petistas, o racha ficará mais aguçado nos próximos anos. "Agora não pára mais", afirmou Dirceu. "A tendência é que se repita aquele sentimento de protesto à corrupção, como ocorreu nas eleições do ano passado, e haverá uma renovação brutal do Congresso", disse.Dirceu contou que um dos motivos que levaram à cassação de Covas, em janeiro de 1969, foi o apoio manifestado por ele à União Nacional dos Estudantes (UNE). O deputado, na época, era presidente da UNE, e Covas, líder do MDB na Câmara. "Covas me deu uma passagem para ir à UNE, em Brasília", afirmou o petista.O governador do Mato Grosso do Sul, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, disse que tinha em Covas um exemplo de administrador. "Ele sabia como tocar um Estado mais moderno", elogiou.Apelidado de Zeca do PSDB por sua proximidade com os tucanos, o petista foi taxativo: "Ninguém mais do que Mário Covas expressava a social-democracia, com a qual ele tanto sonhou."Sem querer falar no racha que atinge o PFL, seu partido, o governador da Bahia, César Borges, nem mesmo ouviu quando, baixinho, uma pessoa próxima a ele, na fila para prestar a última homenagem a Covas, mencionou com ironia a facção "PFL do B". "Covas marcou o cenário político por sua coerência e competência na luta para sanear São Paulo", disse Borges. "Não vamos falar em política partidária agora."Para o governador de Santa Catarina, Esperidião Amin (PPB), o PSDB perde o exemplo, "mas ganha a referência que vai servir para a encruzilhada que virá por aí." Amin disse que, quando era senador, também conheceu "o lado bem-humorado de Covas". "Ele tinha até um código e fazia um sinal com a boca para avisar quando ia ficar bravo", afirmou.Amin tem boas lembranças de Covas da época do Congresso. "Aprendi muito com ele, apesar de sermos adversários", garantiu o pepebista. "Em 1993, por exemplo, fiquei impressionado com a aula que ele deu, da tribuna do Senado, usando até recursos audiovisuais, para conseguir a aprovação da lei dos portos", lembrou. E concluiu: "Claro que ele conseguiu, ou não seria Mário Covas."

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