Dirceu propõe pacto contra crise internacional

O ministro José Dirceu (Casa Civil) surpreendeu um grupo de pesos pesados da economia, na noite do sábado, em São Paulo, ao propor um pacto de união nacional para enfrentar a crise econômica internacional que se avizinha. O ministro disse que a atual política econômica - que rotulou de "ortodoxa" - não será suficiente para enfrentar um eventual agravamento da crise externa. "Só um pacto nacional conseguirá evitar uma crise desse tamanho, se ela vier", afirmou ele. Muitos empresários mostraram surpresa pela avaliação de José Dirceu. Na ótica de parte deles, o ministro estaria antecipando uma crise externa que muitos vislumbram, mas que ninguém tem certeza quando e se virá, embora todos tenham clara percepção de que a situação interna está se deteriorando. A maioria discordou da proposta de um pacto nacional, alegando que nenhum governo conseguiu êxito num projeto desses. Handerson Birhman, da Arezzo, estranhou: "No começo o governo só falava em espetáculo do crescimento e agora vem falar de recessão. Não entendi a guinada". Daniel Feffer, da Suzano, torceu o nariz para a idéia. Caminho Dirceu afirmou que "só o mundo da política resolve impasses deste tipo". Indagado, depois, sobre a extensão do pacto nacional que sugeriu, explicou que esse movimento "deveria envolver toda a sociedade, desde o Legislativo, o Executivo, os empresários e os sindicatos". E observou: "Em um cenário grave, não teríamos outro caminho a percorrer para evitar uma nova recessão", disse, ponderando, no entanto, que não há clareza de que isto esteja ocorrendo no Brasil neste momento. Numa frase de efeito, Dirceu disse que "se Juscelino Kubitschek fizesse contas, não teria construído Brasília". Mas antes que alguém pudesse ver na afirmação uma crítica à política do seu colega Antônio Palocci ou uma reprimenda nos que cultuam o controle fiscal, afirmou que tem os pés no chão, embora continue a acalentar utopias: "Comecei como office-boy e sei que sem serenidade não chegaremos a lugar nenhum. Mas sei também que sem sonhar não é possível construir coisas grandes". O jantar em homenagem ao ministro José Dirceu reuniu um grupo de 50 empresários e banqueiros, na casa da empresária Cosette Alves e do ex-ministro João Sayad, no sábado à noite. Organizado para figurar como um afago no ministro Dirceu, em razão dos problemas que envolveram seu nome este ano, o encontro teve como brinde extra uma homenagem pública feita pela anfitriã, que o cumulou de elogios. Dirceu começou o seu discurso mostrando desconcerto: "Estranho eu não saber o que dizer, justamente eu, que costumo ter facilidade com as palavras", desculpou-se.

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