Dirceu propõe desvincular salário mínimo da Previdência

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu a desvinculação do salário mínimo dos benefícios concedidos pela Previdência Social. Em discurso durante o fórum Santos Export 2004, Dirceu afirmou que o salário mínimo não corresponde à necessidade de expansão do mercado interno e a outras demandas do País. O ministro fez uma contundente defesa da política econômica do governo Lula e disse que foi "uma audácia" fixar em apenas R$ 260,00 o salário mínimo, evitando, desta forma, um aumento de mais R$ 12 bilhões nos gastos da Previdência. "Temos que ter clareza das limitações do País, sem perder a fé, a esperança e o otimismo, e sem deixar de ter audácia", afirmou Dirceu. "Audácia, neste momento, é ter responsabilidade, o que fi zemos agora, apesar do imenso custo político de não dar um salário mínimo maior que R$ 260,00", completou. José Dirceu disse que o governo poderia ter aumentado o mínimo para R$ 300,00, mas decidiu manter o rigor nas contas. Disse também que o governo continuará mantendo as metas de inflação, o rigor fiscal e o diálogo com governos estaduais, empresas e fundos de pensão, para tocar obras importantes de infra-estrutura. "Há um esforço do nosso governo, apesar das gravíssimas restrições orçamentárias, poi s é preciso lembrar que o Brasil tem uma dívida interna de R$ 1 trilhão". Dirceu afirmou que o País precisa investir pelo menos 3% do seu PIB, o que significaria hoje R$ 41 bilhões. Disse ainda que os planos "milagrosos" anteriores não resolveram o probl ema do Brasil. O ministro da Casa Civil também destacou a redução dos juros no governo Lula para 16%.

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