Dirceu pede desculpas ao PT do RS por declaração à 'Piauí'

Ex-ministro diz que 'jamais afirmou que PT comprou sede no Estado com dinheiro de caixa 2

Elder Ogliari, de O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 13h14

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu negou ter dito à revista Piauí que o PT do Rio Grande do Sul adquiriu sua sede com dinheiro do caixa 2 e pediu desculpas aos petistas gaúchos pelos transtornos que a declaração, que atribuiu a um mal-entendido, possa ter causado.  Veja Também:  Heloísa ataca 'ladrão dos cofres públicos' É 'residual' divergência de Dirceu com PT-RS, diz Tarso  As retificações à publicação, que já circula no centro do País e ainda não chegou às bancas do Sul, foram apresentadas em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta sexta-feira e, segundo Dirceu, também serão feitas em carta que enviará à revista. "Jamais afirmei que o PT comprou uma sede custeada por caixa 2", reiterou Dirceu. "Durante todo o meu relato (à jornalista Daniela Pinheiro) deixei claro que houve uma denúncia que a Justiça rejeitou por falta de provas", complementou. A denúncia citada por Dirceu foi feita pelo relator da CPI da Segurança Pública, o então deputado estadual Vieira da Cunha (PDT), em 2001, que acusou o Clube de Seguros da Cidadania de ter usado recursos ilegais para adquirir o prédio que cedeu ao PT, em regime de comodato, de 1998 a 2002. Em suas explicações, Dirceu sustentou que citou a acusação feita por adversários do partido naquela CPI para mostrar que, como presidente nacional do PT à época, foi solidário a seus companheiros gaúchos e para reclamar da falta de solidariedade de alguns deles quando passou a ser acusado pelo mensalão. "O PT nacional todinho se alinhou em defesa do Olívio Dutra (então governador do Estado) porque não acreditava nas denúncias, como, aliás, a Justiça comprovou arquivando as acusações por falta de provas", recordou. "Meu foco (na entrevista à Piauí) não era a denúncia (contra o PT gaúcho), mas a postura diferente que eu e o PT nacional tivemos e depois a retribuição que nos foi dada".  Demonstrando mágoa com alguns petistas gaúchos, Dirceu citou declarações do deputado estadual Raul Pont, que afirma que a política de alianças com a direita (feita por Dirceu) é que levou ao mensalão. "Essa é uma tese estapafúrdia, não houve mensalão", ressaltou o ex-chefe da Casa Civil, mostrando-se confiante no resultado dos processos que enfrenta na Justiça. "Eu não quero prescrição e nem impunidade, eu quero ser julgado, não posso ter virado bandido do dia para a noite", afirmou, confiante na absolvição. Na entrevista à Rádio Gaúcha Dirceu também apontou outras imprecisões da matéria da Piauí. Lembrou que uma menção que fez ao jornalista Luís Costa Pinto, conhecido como Lulinha, foi transformada numa referência a Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também conhecido como Lulinha. Dirceu destacou que, ao contrário do que o texto afirma, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares não estava num jantar que teve com o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci em São Paulo.

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