Dirceu nega elo com mensalão e diz que é 'tese de ficção'

Ex-ministro depôs nesta 5ª à Justiça; também nesta tarde, ex-secretário do PT, o Silvinho, se livrou do processo

Anne Warth, da AE

24 de janeiro de 2008 | 19h32

O ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, deputado cassado pela Câmara dos Deputados em 2005, negou nesta quinta-feira, 24, todas as acusações sobre seu envolvimento no caso do mensalão. Em depoimento à Justiça, como parte do processo pelo qual é acusado por corrupção ativa e formação de quadrilha, Dirceu voltou a definir o esquema do mensalão como uma "tese de ficção", da qual não participou e não teve conhecimento da existência.  Veja Também: Acordo com a Justiça livra Sílvio Pereira do Mensalão  Em Recife, Dirceu passa por operação para implantar cabelos Os 40 do mensalão  "O ministro Dirceu rebateu pontualmente todas a acusações contidas na denúncia. É importante porque foi a primeira vez que ele falou ao judiciário, e, portanto, teve alguém que vai apreciar o assunto de maneira técnica", disse o advogado José Luis oliveira Lima, que defende o ex-ministro no caso. Dirceu deixou o edifício da 2ª Vara Criminal da Justiça Federal, na Capital, sem falar com a imprensa. Cercado por jornalistas durante todo o trajeto entre a entrada do prédio e a porta de seu carro, Dirceu limitou-se a dizer: "Meu advogado vai falar". "Dirceu negou qualquer participação nos supostos fatos imputados na denúncia pelo procurador geral e negou ter conhecimento da existência do esquema", reiterou Oliveira Lima.O advogado de Dirceu disse que seu cliente não tinha conhecimento dos supostos empréstimos feitos pelo empresário Marcos Valério ao PT. Nos encontros do ex-ministro com os bancos BMG e Rural, Dirceu ressaltou ter discutido outras questões que não o suposto empréstimo ao PT e a vantagem concedida às instituições, como a primazia em oferecer empréstimos consignados. Oliveira Lima citou que o único incidente ocorrido durante as duas horas de depoimento do ex-ministro foi a descoberta de que os advogados do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) estavam gravando toda a oitiva de Dirceu, sem autorização. Ao saber do fato, a juíza determinou que o depoimento fosse degravado. "Esse foi o único incidente que houve na audiência, mas que não atingiu nem o cliente nem a defesa", esclareceu. De acordo com Oliveira Lima, os advogados de Jefferson podem ter acesso ao depoimento de Dirceu, porém, havia receio, por parte da juíza, de que a gravação fosse concedida a algum meio de comunicação. Dirceu negou também ter tido qualquer tipo de conversa envolvendo questões financeiras com o ex-deputado (Jefferson) ou com o partido que ele representa, o PTB. Segundo o ex-ministro, assim que deixou a presidência do PT e assumiu a Casa Civil, sua agenda e seus compromissos fizeram com que sua relação com o partido ficasse distanciada. Dirceu desqualificou as acusações de Jefferson sobre a existência do mensalão, esquema que seria comandado pelo ex-ministro: "De uma maneira ou de outra, ele desqualifica sim quando nega, até porque as acusações do ex-deputado Roberto Jefferson, que foi cassado porque mentiu, é bom que se frise, no meu entender, são manifestamente hilariantes," reiterou o advogado do ex-ministro. O ex-deputado Roberto Jefferson será ouvido pela Justiça no próximo dia 12 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Após a fase dos depoimentos, serão ouvidas as testemunhas de acusação do processo e, em seguida, as testemunhas de defesa.

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