Dirceu não é 'quadrilheiro', diz advogado de defesa

Advogado rebate acusações do Ministério Público para provar que ex-ministro não faz parte do esquema do mensalão

Ricardo Brito - Agência Estado,

06 de agosto de 2012 | 15h40

Brasília, 06 - O advogado José Luiz de Oliveira Lima rebateu a acusação feita pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, de que seu cliente, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, fosse o chefe da quadrilha do mensalão. "Meu cliente não é quadrilheiro, não é chefe de uma organização criminosa", afirmou ele nesta segunda-feira, terceiro dia do julgamento do caso pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na sua sustentação oral, Oliveira Lima mencionou fatos que pelos quais, segundo ele, "caem por terra" as quatro situações que o Ministério Público se vale para acusar Dirceu de chefe da quadrilha.

O primeiro fato citado pela defesa é que o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares negou, em depoimento durante o processo, que Dirceu participasse da vida partidária. Segundo ele, não ficou provado que o publicitário Marcos Valério tivesse viajado a Portugal para arrecadar recursos, a pedido de Dirceu, para o PT.

No segundo ponto, a defesa admitiu que Dirceu havia participado de encontros com dirigentes do BMG e do Rural, os bancos que emprestaram recursos para o PT e para Valério. Os encontros contaram com a presença do publicitário. "O fato de ele receber empresários não caracteriza nenhuma conduta delituosa", afirmou. "O fato de que Marcos Valério tenha participado desta reunião não quer dizer que José Dirceu tenha compromisso com essa pessoa", completou.

Dirceu negou ainda, por meio do seu advogado, que sua ex-mulher Angela Saragoça tenha sido empregada pelo BMG e tenha tomado um empréstimo do Rural. "Dirceu não tinha conhecimento nenhum deste fato", afirmou. "A grande prova da ação penal são os depoimentos. E a prova testemunhal é toda no sentido da absolvição de José Dirceu". Disse.

Por último, Oliveira Lima negou que houvesse alguma indicação irregular feita por Dirceu. "É inegável que o ministro José Dirceu tinha força, sim, na participação dos cargos do governo. Mas isso não quer dizer que ele indicava todos, que isso é ilícito ou ilegal", afirmou.

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