Dirceu ironiza propaganda de Campos e diz que governo deu infraestrutura ao NE

Ex-ministro da Casa Civil participou de debate em Recife sobre os dez anos de gestão do PT

Ana Sadock, especial para o Estado,

15 Abril 2013 | 22h57

RECIFE - O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, afirmou nesta segunda-feira, 15, no Recife, que a infraestrutura de que dispõe hoje a Região Nordeste foi construída graças ao governo federal. “Quem construiu a infraestrutura atual do Nordeste foi o governo federal. Isso é um direito do Nordeste, é uma dívida que o País tinha com o Nordeste e nós não fizemos mais que nossa obrigação”, disse Dirceu, ao ser questionado sobre a propaganda de TV do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em que ele faz críticas à gestão da presidente Dilma Rousseff. Campos é possível candidato à Presidência da República em 2014.

Dirceu, que esteve no Recife para um debate sobre os dez anos de gestão do PT no País, afirmou que uma eventual candidatura de Campos em 2014 “é um direito dele”, mas ironizou a campanha do governador na TV, que apresentou o slogan “É possível fazer mais”. “Em Pernambuco também pode se fazer mais e melhor, não é só no Brasil. Ou Pernambuco não tem problemas?”, questionou. Segundo o ex-ministro, “todos os governos cometem erros, têm insuficiências e problemas”. E prosseguiu: “Mas o que fazer com o desenvolvimento econômico do País? O que fazer com a inflação? O que fazer com a educação, tecnologia, com a infraestrutura do País? Toda a infraestrutura que o Nordeste tem – hidrelétricas, termelétricas, rodovias, ferrovias, refinarias, a Transnordestina – e todas as medidas para aumentar os investimentos e o crédito, para distribuir renda, sobre reforma agrária, saúde e educação são tomadas pelo governo federal”, afirmou. “Não acredito que o povo do Nordeste veja os governos de Lula e Dilma como governos que não devam ser reeleitos.”

Ainda sobre a movimentação de Campos para disputar a Presidência em 2014, Dirceu afirmou que o governador “tem todas as credenciais” para isso. Mas ressaltou que a presidente Dilma tem um “governo de coalização, do qual o PSB faz parte”. Lembrou, ainda, que “muitos petistas” propõem que o governador seja o candidato dessa frente em 2018. “Cada um tem o direito de se preparar para 2014. Nós estamos nos preparando governando o Brasil, e bem, e as pesquisas indicam isso. Esse projeto (para 2014) não é do PT, é de uma ampla aliança política, é uma aliança do Brasil. Da nossa parte continuamos com a mesma proposta, que é de um governo de coalização e de uma aliança para reeleger esse projeto político em 2014.”

Dirceu avaliou que o presidente nacional do PSB tem força restrita ao Nordeste e perde espaço no Sul-Sudeste. "Do lado de lá há muitos problemas. Uma coisa é quando se tem a boa vontade da mídia, a outra é a luta eleitoral. Nós temos um projeto para o País. Qual vai ser o projeto deles? Atende a que interesses? Então temos de ter tranquilidade. Se não for possível manter a aliança, vamos reorganizar as forças e fazer o enfrentamento político", desafiou Dirceu. O ex-ministro, entretanto, disse que o PT não está tratando Campos como "amador", mas como "um líder político que tem base social inclusive fora de Pernambuco".

Dirceu também voltou a se defender da condenação no julgamento do mensalão. "Quem me conhece sabe que não sou chefe de quadrilha e que sou inocente", afirmou. "Isso não vai ficar assim. Esse julgamento não vai ficar assim. Vamos fazer o julgamento da história, não o que a mídia fez."

Além do Recife, o ex-ministro irá a Olinda e Caruaru, no agreste pernambucano. Depois seguirá para o Piauí, Belém, Macapá, São Luis, Goiânia, Cuiabá e Rio Branco.

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