Dirceu fecha acordo com PMDB e distribui cargos

Depois de cinco meses de negociação, o governo fechou ontem um acordo com o PMDB, numa tentativa de garantir mais tranqüilidade nas votações de projetos importantes no Congresso, especialmente as reformas. O senador Amir Lando (PMDB-RO) será líder do governo no Congresso e o senador Hélio Costa (PMDB-MG) responderá pela vice-liderança do governo no Senado. Assim, Lando substitui o senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que vinha acumulando a liderança do governo no Congresso e no Senado. A substituição de Mercadante era esperada, dado que ele vinha acumulando os dois cargos, sendo que um destes cargos estava reservado para futuras negociações partidárias. O acordo foi selado ontem à noite no gabinete do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), com o ministro da Casa Civil, José Dirceu, e o líder do governo na Casa, Aloizio Mercadante (PT-SP). Por enquanto, o partido fica sem cargo no primeiro escalão. O Palácio do Planalto temia por uma aliança do PMDB com pefelistas e tucanos no Congresso. "Lando tem trânsito em todos os partidos e boa relação com o governo", afirmou Dirceu, ao deixar o gabinete da liderança do PMDB. "Se for indicado pelo PMDB, o teremos, com prazer, na liderança no Congresso", completou. Na avaliação do ministro, o PMDB participará do núcleo político e ajudará o governo a avançar nas reformas. Além dos cargos, o PMDB indicará também representantes no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social e no Conselho de Segurança Alimentar, e assumirá cargos importantes nos Estado. O deputado Marcos Lima (PMDB-MG) assumirá uma diretoria de Furnas. Esse cargo estava sendo pleiteado pelo ex-senador Sergio Machado, que, por sua vez, ficará com Transpetro, transportadora da Petrobras. Dirceu ainda vai absorver partidários do PMDB para sua assessoria, somando-se ao ex-deputado Marcelo Barbieri, que já está trabalhando na Casa Civil. Mais uma vez, o ministro sinalizou com a possibilidade de o PMDB vir a integrar o ministério - o que, na avaliação de Renan, servirá para consolidar o ingresso do partido na base governista. "O PMDB só vai ser da base quando tiver responsabilidade de governo", afirmou. TamanhoDirceu explicou que, no momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não fará uma reforma ministerial para contemplar o partido. "Essa questão não está sendo discutida", disse, acrescentando que o PMDB apoiará as reformas. "Na reforma ministerial, o PMDB terá um espaço correspondente a seu tamanho. Até lá vamos ter gestos de lado a lado", disse o líder do partido. A intenção de Lula é só mexer na sua equipe em dezembro. Segundo Dirceu, um sinal de entendimento do PMDB foi a indicação do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a relatoria da reforma tributária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. A consolidação do acordo, na definição de Renan, será um passo rumo ao ingresso do partido na base governista.

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