Dirceu: 'falso moralismo' não impedirá eleição de Renan

O ex-ministro da Casa Civil, deputado federal cassado e condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo do mensalão, José Dirceu, saiu nesta quinta-feira em defesa pela eleição à presidência do Senado de Renan Calheiros (PMDB-AL). Em uma postagem no "Blog do Zé", mantido pelo ex-ministro, Dirceu atribuiu a uma "ofensiva midiática" e a um "falso moralismo" os protestos de quarta-feira (30) em frente ao Congresso Nacional e a cobertura da imprensa em relação à denúncia do procurador geral da República, Roberto Gurgel contra o senador.

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

31 de janeiro de 2013 | 15h57

Na denúncia ao STF, Gurgel apontou o uso, por Calheiros, de notas fiscais frias para comprovar renda. "O que estamos assistindo em relação ao senador Renan Calheiros é, de novo, uma ofensiva midiática dando cobertura a denúncias contra ele concertadas com ações do Ministério Público Federal (MPF) e com intervenções de grupos organizados, como aconteceu ontem em frente ao Congresso Nacional", escreveu o ex-ministro.

Dirceu voltou a provocar a oposição, formada pelo PSDB e pelo DEM, ao afirmar que Calheiros será eleito presidente do Senado e o deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), da Câmara. "Ambos são do PMDB e é uma grande bobagem a continuidade dessa campanha da mídia dizendo (...) que eles só se elegem por contar com o apoio do Planalto", informou. "Foi o povo que elegeu o Congresso e decidiu, pelo voto, por sua vontade soberana, que PSDB-DEM seriam oposição e minoria e PT-PMDB formariam e dirigiriam uma coalizão majoritária que, como tal, tem o dever de eleger os presidentes do Senado e da Câmara", completou.

Ainda segundo o deputado cassado, o objetivo dos protestos e do pedido de investigações é de dividir a base de apoio do governo e continuar com a campanha "moralista e udenista. A mesma campanha falso-moralista que levou o presidente Jânio Quadros ao Planalto (1960) porque ia ''varrer a corrupção''; os militares ao poder porque eles ''combatiam a corrupção e a subversão''; e depois elegeu o presidente Fernando Collor, o caçador de marajás...", completou Dirceu, sem poupar senador Collor (PTB-AL), agora aliado ao PT e ao governo.

Por fim, Dirceu ironizou o uso de vassouras no protesto de ontem no Congresso e defendeu a reforma política, o financiamento público de campanha e a regulação da mídia. "O símbolo ontem dos manifestantes em frente ao Congresso Nacional era a vassoura. Mudar mesmo, fazendo a reforma política e administrativa, nem pensar. Estes neoudenistas dos novos tempos se opõem a ferro e fogo ao financiamento público e ao voto em lista", escreveu. "Observem, também, que à frente dessas campanhas de agora há sempre deputados e senadores defensores da mídia e inimigos de qualquer regulação", concluiu.

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