Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Dirceu e outros são inocentes até que se prove o contrário, diz Rui Falcão

O dirigente petista manifestou preocupação com que o cenário leve à criação de um ambiente 'embrião do Estado de exceção' e insistiu que os indícios precisam ser transformados em provas

Daiene Cardoso e Vera Rosa, O Estado de S. Paulo

04 de agosto de 2015 | 16h58

Atualizado às 18h36

Brasília - O presidente nacional do PT, Rui Falcão, adotou um tom protocolar ao ser questionado sobre a prisão do ex-ministro José Dirceu nesta segunda-feira, 3, na 17ª fase da Operação Lava Lato. Falando em apoio ao combate implacável à corrupção, mas sem o que chamou de "espetáculo midiático", Falcão disse que, assim como em outras situações, o ônus da prova é de quem acusa e que cabe ao "companheiro Zé Dirceu" fazer o contraditório.

"Pra mim, qualquer pessoa que seja acusada é inocente até que provem o contrário", declarou. "Dirceu e todos os acusados são inocentes, não são réus, até que se prove o contrário", emendou. Ao ser questionado sobre parlamentares que defenderam Dirceu nessa segunda, Falcão comentou que "o PT é um partido de várias tendências e temos assegurado o direito a livre-expressão do pensamento".

O dirigente petista manifestou preocupação com que o cenário leve à criação de um ambiente "embrião do Estado de exceção" e insistiu que os indícios precisam ser transformados em provas. "Não estamos abandonando nenhum companheiro nosso", respondeu. 

Falcão disse estar preocupado com o "desvio de foco" em relação ao "atentado covarde" contra o Instituto Lula, escritório do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua avaliação, o objetivo é fragilizar o governo Dilma Rousseff e atingir a popularidade de Lula. "Prossegue a escalada dirigida por setores conservadores tentando criminalizar o PT", disse o petista, no início de seu discurso. 

Ele pediu urgência na identificação dos autores "terroristas e fascistas" por se tratar de um ataque grave contra o local de trabalho de um ex-presidente da República. "Estamos vendo crescer a intolerância e o ódio que contrasta com a tradição do povo brasileiro", concluiu. O petista anunciou que haverá, em data ainda a ser definida, um ato nas imediações do Instituto Lula, em São Paulo, contra o episódio.

O presidente nacional do PT deixou a reunião da Executiva do PT para dar uma breve entrevista coletiva e anunciou que haverá um ato no dia 14, em Brasília, em prol da educação. Ele negou que a manifestação seja um contraponto aos protestos programados contra a presidente Dilma Rousseff.

Nesta tarde, o petista classificou como positiva a redução da meta do superávit, assim como o programa de proteção ao emprego e a agenda positiva do governo Dilma Rousseff. Bandeira do PT, Falcão defendeu a taxação das grandes fortunas e sugeriu que a presidente faça um encontro com os movimentos sociais, nos moldes do recente encontro com os governadores.


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.