Dirceu é responsável pela mordaça na imprensa, diz Serra

Em entrevista após encontro com líderes comunitários da Vila Mariana, o candidato do PSDB à Prefeitura, José Serra, disse que o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, é o responsável pela mordaça que o governo Lula estaria pretendendo colocar na imprensa e no Ministério Público, bem como pela tentativa de tentar controlar as atividades culturais e artísticas. O tucano fez as críticas ao ser questionado sobre o participação de Dirceu na campanha de candidatos em São Paulo: "Eu acho ótimo, ele devia vir mais para São Paulo. Se ele estivesse aqui, provavelmente o governo Lula não teria tratado de amordaçar o Ministério Público, a imprensa e as atividades artísticas e culturais", disse, referindo-se aos projetos do Conselho Nacional de Jornalismo, da Lei da Mordaça aplicada ao Ministério Público e também à implantação da Agência Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav). Dirceu participou de evento na noite de sexta para apoiar Elói Pietá (PT), candidato à prefeitura de Guarulhos. O ministro disse em seu discurso que uma vitória do PT nas eleições municipais representaria uma vitória do presidente Lula: "O povo brasileiro vai dar ao presidente Lula nas urnas dia 3 de outubro uma grande vitória." Ele ainda criticou o governo Fernando Henrique por sua política de privatizações e de juros. Serra, que no evento disse se considerar um político de esquerda, afirmou ainda que Dirceu atrapalha o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, influenciando a avaliação do governo federal. Para ele, a permanência do ministro em São Paulo resultaria em dois fenômenos: "O governo federal poderia ser melhor avaliado e ele atrapalharia menos o andar das coisas em Brasília." No evento, Serra também fez críticas indiretas a Lula, dizendo que alguns políticos "mudam ao chegar no poder". O candidato do PSDB não disse se concorda com a federalização da campanha e afirmou que Dirceu, em São Paulo, poderia defender melhor os empregos criados por Lula: "Seria ótimo ele ficar por aqui. Inclusive para poder defender esses empregos, que estão caminhando muito distante daquela promessa de 10 milhões", ironizou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.