Dirceu e Rebelo prometem melhor relação com o Legislativo

Os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, afirmaram ontem à noite, aos líderes aliados, que o governo vai cumprir o compromisso de liberação de emendas dos parlamentares no orçamento e que haverá uma melhor relação entre o Executivo e o Legislativo. Essas foram as principais reclamações dos líderes, durante o jantar na residência do presidente da Câmara, João Paulo Cunha. O encontro foi marcado como uma tentativa de pôr um fim na crise dentro da base aliada. Foram mais de cinco horas de reunião, com a presença de cinco ministros, e que terminou por volta das 2 horas da manhã. Segundo o líder do PSB, Renato Casagrande (ES), os líderes foram unânimes em reclamar da falta de coordenação entre o Executivo e sua base e da falta de sensibilidade política dos ministros, de dirigentes de empresas estatais e de executivos de escalões mais baixos. A reclamação era de que muitos líderes não conseguiam sequer falar com os ministros. Um dos líderes presentes chegou a afirmar que levou um ano e um mês para conseguir uma audiência com o ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim. Os líderes reclamaram também que o governo não está concretizando a liberação dos recursos do orçamento. Segundo Casa Grande, os ministros se comprometeram a iniciar a execução orçamentária ainda este mês e mudar a relação do Executivo com o Congresso. Dirceu e Rebelo afirmaram na reunião, segundo relato de Casagrande, que o próprio presidente Lula vai falar com os ministros para que a relação entre o Executivo e o Congresso funcione. Ao final da reunião, os líderes consideraram que o encontro foi positivo e que a partir de agora o governo deverá corrigir as falhas de relacionamento com sua base. "Colocamos o time para treinar de novo", disse Casagrande. "Foi ótima (a reunião). Falou-se o que precisava", acrescentou o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE), um dos que ontem mais criticou o governo. Segundo os líderes ficou acertado que as reuniões semanais de articulação política voltarão a ser realizadas. Já ficou marcada para a próxima terça-feira uma reunião com os líderes e o ministro Aldo Rebelo para discutir a Medida Provisória sobre os Bingos.Palocci pede apoioO ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pediu aos líderes da base governista apoio à sua política econômica. O ministro, segundo Casagrande, afirmou que mais do que ninguém ele quer baixar os juros, mas alertou que é necessário ter cautela pela fragilidade da economia brasileira, "para não jogar fora o trabalho que foi feito no ano passado", resumiu o líder. O ministro, ainda segundo Casagrande, afirmou também que neste ano a perspectiva de financiamento é maior do que em 2003. Palocci disse também que o País está avançando na redução dos juros, mas com cautela para não "perder a mão" na hora errada. Palocci reconheceu que há insatisfação com a política econômica, mas pediu apoio aos aliados. Já o ministro da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que na próxima semana vai conversar com o líder do governo na Câmara, deputado Miro Teixeira (sem partido) que anunciou ontem a sua decisão de sair do cargo. Segundo Renato Casagrande, Dirceu afirmou que Miro tomou a decisão sozinho, porque está procurando um outro partido para se filiar, depois que deixou o PDT. Dirceu disse também, ainda segundo relato de Casagrande, que depois de conversar com Miro Teixeira, na próxima semana, tomará as providências para escolher um outro líder. "Dirceu está mais firme do que nunca"Durante o encontro, os líderes manifestaram solidariedade ao ministro, que foi alvo de boatos de que estaria deixando o governo por causa da crise política. "Está claro que ele não vai sair", disse Casagrande. "Ele está mais firme do que nunca", acrescentou o líder do PSB. Na opinião de alguns líderes o ataque ao ministro é uma tentativa de desestabilizar o governo.

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