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Dirceu diz ser 'patético' comportamento de Arns, que reage

Em seu blog, ex-deputado critica paranaense; 'os princípios do PT foram jogados fora', retruca senador

Rodrigo Alvares, do estadão.com.br,

20 de agosto de 2009 | 17h31

A decisão do senador Flávio Arns (PT-PR), que anunciou sua saída do PT após o arquivamento de todas as ações contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), pelo Conselho de Ética, foi criticada nesta quinta-feira, 20, pelo ex-deputado e cacique petista José Dirceu. Em nota publicada em seu blog, o ex-ministro da Casa Civil disse que Arns foi eleito com o "apoio do presidente Lula", e classificou como "patético" o comportamento do senador.

 

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Na quarta-feira, Arns afirmou sentir-se "envergonhado" pela atitude do PT, que votou em bloco pela rejeição de todas as denúncias e representações contra Sarney. Dirceu, por sua vez, lembra que Arns foi filiado ao PSDB, e rechaça o discurso em que o senador condena a absolvição de Sarney.

 

"Arns foi filiado ao PSDB, conviveu em seu Estado - o Paraná - e no Brasil com a aliança tucana com o PMDB e com o PFL. Ele foi eleito senador pelo PT em 2002, depois de se desfiliar do PSDB. E elegeu-se com apoio do presidente Lula - e por causa desse apoio", escreveu Dirceu.

 

Segundo Dirceu, Arns "sabe que posição do PT - da sua bancada e do partido - no Conselho de Ética apóia-se no princípio da presunção da inocência e do devido processo legal". Por isso, continua, é "patético que nos condene com tal violência verbal e eleve Artur Virgilio a modelo de homem público".

Em entrevista ao estadão.com.br, Arns reagiu. "Na verdade, o patético é o Dirceu", respondeu. "Sou grato ao presidente Lula e, especialmente, aos movimentos sociais", completou.

 

"Aquilo que aconteceu ontem é o que toda a sociedade desejava", declarou o senador sobre seu discurso durante a sessão do Conselho de Ética, na quarta-feira.

 

Princípios no lixo

 

De acordo com o senador paranaense, "os princípios do PT foram jogados fora. Rasgaram os dois maiores deles: deram as costas para a sociedade e arquivaram tudo sem nenhuma investigação". Ele afirmou que "houve interferência direta do governo (na decisão) dos senadores e eles aceitaram."

 

Os parlamentares votaram pelo arquivamento de todas as representações e denúncias contra o presidente da Casa. Os três votos dos representantes petistas no Conselho - Delcídio Amaral (MS), Ideli Salvatti (SC) e João Paulo (AM) - foram determinantes para a decisão. Em consequência, Arns disse que deixará o partido, e que, para isso, pretende entrar na Justiça para encerrar o mandato.

 

Agravando a crise no partido, o senador Aloizio Mercadante (SP) anunciou que irá renunciar à sua posição como líder do PT no Senado.

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