Dirceu diz que Malan é um "provocador"

O presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), disse que Pedro Malan é um "provocador", ao responder às críticas do ministro da Fazenda à falta de clareza das propostas econômicas do partido. Para José Dirceu, o ministro quer criar desconfiança entre os investidores externos. O deputado lembrou que também o PSDB tem divergências internas sobre o modelo econômico. "O próprio partido deles tem candidato dizendo que não vai fazer isso que ele (Malan) está fazendo hoje. É melhor primeiro ele se entender com o José Serra, com o Tasso Jereissati, para saber o que vão propor para o País, porque até agora não vi o que eles vão fazer. Nós seguramente não vamos manter a política do Malan", afirmou.Sobre metas de inflação, Lei de Responsabilidade Fiscal, câmbio flutuante, o deputado disse que o PT já manifestou publicamente suas posições. "O Malan não cumpriu a meta de inflação. Está mais de 10% no atacado, estourou a meta no varejo.""Como os investidores externos disseram que no caso de o PT vencer não muda nada, eles estão querendo fazer provocação irresponsável. Querem levar o País a uma crise para justificar a situação em que o País se encontra e dizer que o Lula é o culpado. Não vou responder ao Malan porque é provocação, ele está virando provocador. Ele quer fazer perguntas, o PT responde, dá uma crise, e eles têm razão para justificar o fracasso deles", concluiu José Dirceu.Mudanças na CLTO presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), e o líder do partido na Câmara, Walter Pinheiro, divulgaram, em Brasília, uma nota criticando o projeto de lei do governo que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), para permitir que os acordos e convenções coletivas tenham validade acima da legislação trabalhista. Segundo os dois deputados, o projeto - que está tramitação em regime de urgência, na Câmara, e poderá ser votado amanhã, na Comissão de Trabalho - contém "graves ameaças aos direitos dos trabalhadores". Segundo a nota, a aprovação da proposta do governo seria uma ameaça aos seguintes direitos: a proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa; o FGTS; o piso salarial; o 13º salário; a remuneração do trabalho noturno superior à do diurno; a proteção do salário; o salário-família; a participação dos trabalhadores nos lucros das empresas; a remuneração da hora-extra superior a 50% do valor da hora normal; o abono de férias de um terço do valor do salário; a licença-gestante; a licença-paternidade; a proteção do mercado de trabalho da mulher; o aviso prévio proporcional; os adicionais de remuneração para atividades penosas ou perigosas e a proteção em face da automação. "As categorias de trabalhadores mais humildes não terão condições de fazer acordos que preservem os seus direitos elementares", sustenta a nota. Acrescenta que o empresariado também será afetado pelo projeto, que "certamente reduzirá a massa salarial, prejudicando as empresas que produzem e vendem bens de consumo popular". Dirceu e Pinheiro encerram a nota lamentando os incidentes registrados na última quarta-feira na Comissão de Trabalho da Câmara - quando seguranças da Casa tentavam barrar a entrada de deputados e líderes sindicais que pretendiam acompanhar os debates -, alertando o movimento sindical e a opinião pública para os aspectos da proposta que consideram prejudiciais aos trabalhadores e conclamando todos a se mobilizarem para impedir a aprovação da proposta.

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