Dirceu diz que colocou cargo à disposição mas Lula não aceitou

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, confirmou ontem, durante jantar em sua homenagem na casa do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que chegou a colocar o seu cargo à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afastou essa possibilidade. O relato foi feito por participantes do encontro. Em um rápido discurso, Dirceu disse de sua contrariedade com o caso Waldomiro Diniz, mas que considerava essencial que o governo se concentrasse no que realmente é importante: promover o crescimento e reforçar a imagem de um País estável. Dirceu também refutou a idéia de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de que Waldomiro pediu propina e contribuição de companha a bicheiro em 2002. Dirceu lembrou que já foi criada uma CPI pela Assembléia do Rio de Janeiro, mas considerou, no entanto, que a oposição está fazendo o seu papel em defender a comissão.O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), hipotecou solidariedade ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e defendeu o governo Lula da Silva. Sarney disse que conhecia Dirceu há muitos anos e que com o passar do tempo só aumentou o sentimento de amizade e de confiança que nutria em relação ao ministro. O relato foi feito por participantes do encontro. Sarney disse ainda, em um breve discurso, que está engajado no projeto do presidente Lula, que considerou o melhor para o País hoje e que era necessário serenidade para seguir com esse projeto. Nas conversas durante o jantar Dirceu avaliou com os presentes que o governo conseguiu isolar o caso Waldomiro Diniz no próprio ex-subsecretário parlamentar do Palácio do Planalto, descolando o episódio do governo federal. Os participantes do encontro reconheceram que o episódio é grave,que a Polícia Federal já estava investigando as denúncias, mas que houve certo exagero da oposição no caso envolvendo o ex-subsecretário. Apesar do sentimento de irritação, principalmente com os tucanos, avaliaram ainda que havia sinalização de várias instâncias, consideradas sérias no PSDB de que o partido não vai fazer guerra com a questão. Citaram, por exemplo, a posição dos governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Minas Gerais, Aécio Neves. Na noite, houve críticas também à postura do PT, principalmente à da bancado do Senado que provocou irritação dos partidos aliados ao propor uma CPI ampla para investigar financiamento de campanha na tentativa de acuar a oposição. No jantar foram comentados os rumores de que a revista Época trará novas denúncias amanhã, mas o entendimento foi o de que nada será pior do que já foi divulgado na semana passada. Em um rápido discurso João Paulo disse que se tratava de um encontro informal para que as pessoas pudessem dar um abraço a Dirceu e ouvir do ministro a avaliação do governo sobre o episódio envolvendo seu ex-subordinado Waldomiro Diniz. O jantar foi para cerca de 20 pessoas e contou com as presenças dos ministros Aldo Rebelo (Coordenação Política), Eunício Oliveira (Comunicações), Walfrido Mares Guia (Turismo), e Eduardo Campos (Ciência e Tecnologia). Também participaram o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto (SP), e do PTB, Roberto Jefferson (RJ), o líder do PTB, José Múcio Monteiro (PE), onze deputados do PT, incluindo o líder da bancada, Arlindo Chinaglia (SP). Os senadores do PT não foram convidados. ministro foi acompanhado da mulher, Maria Rita.

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