Dirceu desqualifica oposição e defende PT longe do PSD

O ex-ministro José Dirceu desqualificou a oposição e disse não ver nenhuma ação de partidos contrários ao governo da presidente Dilma Rousseff que possa ameaçar a atual hegemonia petista no Executivo e Legislativo nacionais. Ao participar de uma série de eventos em Belo Horizonte, hoje, Dirceu foi irônico ao falar sobre a oposição e afirmou que seu partido, o PT, e o governo não podem mudar de rumo por causa de possíveis crises entre legendas como PSDB e, principalmente, DEM. E defendeu que o PT mantenha distância do PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

02 de maio de 2011 | 20h08

Na avaliação de Dirceu, o PT deve se importar com uma possível fusão entre PSDB e DEM para as eleições presidenciais de 2014. Apesar da possibilidade de as legendas unidas crescerem, inclusive no quinhão que poderiam abocanhar do Fundo Partidário, o ex-ministro ressaltou que "tamanho não é documento" e que isso "não seria problema para o PT". "É um direito deles buscarem a fusão. (Mas) o problema deles não é tamanho. É ter proposta, é ter ...", disparou, batendo com o dedo indicador na própria cabeça.

Pouco antes, Dirceu até havia elogiado o ex-governador de Minas Gerais e atual senador Aécio Neves, apontado como possível candidato tucano à Presidência em 2014 e alguém que, na avaliação do ex-ministro, "tem que respeitar". Mas ressaltou que o mineiro tem mais problemas dentro do próprio partido que diante de uma eleição contra o PT. "Primeiro, ele (Aécio) tem que derrotar o (ex-governador de São Paulo José) Serra. Depois, o (atual governador Geraldo) Alckmin", disse. "Ainda vai chover muito na Serra da Mantiqueira", acrescentou, referindo-se à cadeia de montanhas que fica na divisa de Minas com São Paulo.

Já sobre a postura do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, que deixou o DEM para fundar o PSD, Dirceu foi ainda mais irônico: "o partido do Kassab ainda não está constituído. Na hora em que o partir se constituir e reunir a bancada, vai ter que saber se é governo ou oposição na Câmara e no Senado. Se não for nada, é inédito no Brasil", disparou, referindo-se à postura do prefeito de elogiar governos tucanos e a presidente Dilma.

Dirceu descartou qualquer possibilidade de aliança para o governo de São Paulo em 2014. "Acho que o PSD vai ter candidato. Pode ser o próprio Serra", ressaltou, indicando que, para ele, o ex-governador, padrinho político do prefeito paulistano, estaria por trás da deserção de Kassab do DEM e da criação da nova legenda.

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