Dirceu defende obrigatoriedade de deputados votarem com partido

O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, defendeu a obrigatoriedade de o deputado votar de acordo com o que decidir seu partido. ?Não tem sentido o deputado votar contra seu partido se, para ser eleito, ele depende do partido". A declaração foi feita em debate na TV Câmara, em resposta ao questionamento de um telespectador de Salvador que queria saber por que a reforma política não proíbe a punição de parlamentares que votarem contra a orientação de seu partido. Segundo Dirceu, a posição histórica do PT, desde a sua fundação, é que o deputado tem que votar de acordo com a orientação partidária, quando a bancada ou o diretório fecharem questão em torno de um assunto. Ele disse que, na Câmara, todos os partidos evoluíram nesse sentido. "Isso foi muito importante ter acontecido no Brasil", afirmou. "E você, como eleitor, vai poder fiscalizar melhor seu voto, saber se o partido e seus parlamentares estão votando de acordo com aquilo que você decidiu na urna". Outro telespectador, este de São Vicente (SP), sugeriu que Dirceu primeiro organize o PT para, depois, pedir apoio de outros partidos para as reformas. Bem-humorado, Dirceu riu, agradeceu a sugestão, mas transferiu a organização do partido para o presidente do PT, deputado José Genoino (SP), e para o líder da bancada do PT na Câmara, deputado Nelson Pellegrino (BA). "Agora, não posso organizar o PT. Tenho trabalho demais que o presidente (Luia Inácio Lula da Silva) me dá", respondeu. Ele ressaltou que a bancada na Câmara afastou dois deputados, vai fechar questão em torno da votação das reformas previdenciária e tributária e o PT estará organizado. O ministro disse, ainda, que as pessoas falavam que não seria aprovada a regulamentação do artigo 192 da Constituição, que trata do sistema financeiro. Mas o PT votou a proposta e a aprovou, juntamente com outros partidos. "Temos de ter paciência", afirmou. "A vida política exige diálogo e o debate democrático. Mas o PT vai votar unido". O debate na TV Câmara, de que participou também o ministro Nelson Jobim, do Supremo Tribunal Federal, já terminou.

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