Dirceu: corte no Orçamento é medida preventiva

O ex-ministro da Casa Civil e deputado federal cassado José Dirceu disse hoje que o corte no Orçamento do governo é uma medida preventiva necessária devido à instabilidade econômica mundial. "Neste momento, dada a instabilidade que existe no mundo, é razoável que o País tome medidas preventivas", afirmou o petista, após participar do Seminário InterNews, na capital paulista.

ANNE WARTH, Agência Estado

01 de março de 2011 | 19h09

Dirceu disse que o corte é uma alternativa melhor do que o aumento da taxa básica de juros. "Não vejo nenhum problema no aumento de juros porque, depois, você pode reduzi-los. O único problema é que precisamos lembrar que isso significa aumento do serviço de dívida interna e, portanto, aumento do gasto público, maior valorização da moeda, mais problemas para exportar e mais déficit nas contas correntes", afirmou.

"Prefiro que o País faça o contingenciamento, adote o salário mínimo proposto e faça a contenção do crédito a ter que aumentar o juro, que é sempre mais grave. Isso vai permitir que o País cresça 5% e crie 2 milhões de empregos neste ano".

Para o ex-ministro, o corte de R$ 18 bilhões em emendas parlamentares não vai dificultar as negociações da presidente Dilma Rousseff no Congresso Nacional. "Há emendas e emendas, e esses R$ 18 bilhões são emendas não pactuadas, que os parlamentares fazem e, se houver folga no Orçamento, parte delas é cumprida. Se não houver, não é cumprida. Eles sabem que, se o País não tiver folga no Orçamento, não vai poder cumprir", afirmou.

"Existe uma série de emendas parlamentares dentro dos programas do governo que serão cumpridas, nas áreas de Educação, Saúde, Saneamento e no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se você olhar o Ministério do Turismo e decompor as emendas, vai ver que, se fosse aplicá-las, seria um orçamento várias vezes maior que a média dos últimos anos", acrescentou.

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