Dirceu confessou existência do mensalão, diz presidente do PPS

Dirceu afirmou a revista que recursos provenientes de caixa 2 financiaram a construção da sede do PT no RS

Denise Madueño, de O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2008 | 20h13

O presidente do PPS, Roberto Freire, considerou as declarações do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu (PT-SP) como uma "confissão do mensalão" e afirmou que elas precisam ser incluídas no processo que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre esse sistema de corrupção. Em entrevista à revista Piauí deste mês, Dirceu afirmou que recursos provenientes de caixa 2 financiaram a construção da sede do PT em Porto Alegre.  "Aquelas 'doações' que Delúbio ia buscar junto aos empréstimos têm de ser investigadas", afirmou Freire, referindo-se ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Freire declarou que o Ministério Público deve convocar Dirceu, Delúbio e os empresários envolvidos para darem novas explicações. "Isso deu na cassação do ex-presidente Fernando Collor. O PC Farias fazia isso", disse o presidente do PPS, citando o empresário Paulo Cesar Farias, que foi tesoureiro da campanha de Collor. "A entrevista de Dirceu é uma notícia-crime. Havia pressão de doação de empresários para o governo. Ou alguém vai dar doação tão voluntária e desprovida de interesse?", questionou Freire. O presidente do PPS afirmou ainda que os empresários só faziam as doações porque sabiam que Delúbio era o representante do governo. "Dirceu se reconheceu como chefe, mas existe o chefe dos chefes, que é Lula e que não disse nada. Não tenho nenhuma dúvida (de que Lula sabia). O presidente era ele (Lula)", completou Freire.   Cuidados 'terapêuticos'  A Executiva Nacional do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) divulgou nota oficial contestando a entrevista do ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado José Dirceu.  Na nota, a executiva da legenda alega que não vai responder "no mesmo tom desqualificado da citada entrevista", mas classifica o ex-ministro de "desvairado, em surto psicótico que, como tal, merece cuidados terapêuticos urgentes". A seguir a íntegra da nota do PSOL: A entrevista de José Dirceu à revista Piauí é a última expressão do grau de desespero que atinge o ex-todo poderoso porta-voz bajulador do lulismo, hoje abandonado na vala comum dos cúmplices inconvenientes. Sua manifestação contra a presidente nacional do PSOL, a ex-senadora e professora universitária Heloisa Helena, é típica dos renegados que abandonam as posições de progressistas de esquerda, sobre as quais construíram suas vidas políticas, para se transformarem em lobistas do grande capital, nacional e internacional, junto a parceiros que ainda consegue manter na máquina governamental. O PSOL não vai responder no mesmo tom desqualificado da citada entrevista. Não vai reativar suspeitas sobre o comportamento do 'guerrilheiro' que nunca fez guerrilha, e que se notabilizou por ter sido o único membro de sua organização, entre todos os que retornaram da clandestinidade, a sobreviver à repressão da ditadura que nos assolou durante duas décadas.Prefere admitir que esteja diante de um caluniador conseqüente, hoje prestador de serviço aos que vivem da exploração do povo brasileiro, ostentando vida de quem recebe polpudas recompensas por tarefas certamente pouco dignas. Ou então, e na melhor das hipóteses, que está diante de um desvairado, em surto psicótico. Que, como tal, merece cuidados terapêuticos urgentes.

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