Dirceu condena 'espetacularização' da PF na prisão de Dantas

Ex-ministro, citado em relatório da PF, rompe silêncio em nota no blog; PF prendeu banqueiro, Pitta e Nahas

da Redação,

09 de julho de 2008 | 13h07

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu rompeu o silêncio e condenou nesta quarta-feira, 9, em seu blog o que chamou de "espetacularização" da Operação Satiagraha da Polícia Federal, que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas, do megainvestidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. As investigações apontaram que o banco Opportunity, de Dantas, "utilizava-se de pessoas influentes no meio político" e, no relatório, listam entre elas Dirceu.   Veja também: Imagens da Operação Satiagraha Opine sobre a prisão de Dantas, Nahas e Pitta  Entenda como funcionava o esquema criminoso  PF prende Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta Dantas ofereceu suborno de US$ 1 milhão para escapar da prisão, diz MP Entenda o nome da Operação Satiagraha, que prendeu Dantas Entenda as acusações contra Dantas e Nahas Os 40 do mensalão   Ao condenar o "espetáculo" da PF, Dirceu se baseia na mesma crítica feita na noite da última terça pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Mendes, que já havia criticado a PF na semana passada e chamou de "gângster" quem vaza informação, é quem deverá julgar nesta quarta o pedido de habeas-corpus de Dantas.     A PF prendeu na última terça além do banqueiro,  o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) e outros 14 acusados - doleiros, funcionários de Nahas e empresários ligados a Dantas -, por suposto esquema de desvio de recursos públicos, corrupção, fraude no mercado de ações, gestão fraudulenta de instituição financeira, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.   A Operação Satiagraha mobilizou 300 agentes federais e foi desencadeada às 5h30 em São Paulo, Rio, Bahia e no Distrito Federal para o cumprimento de 24 ordens de prisão e 56 mandados de busca e apreensão. O esquema teria movimentado US$ 1,9 bilhão ilicitamente.     As ordens de prisão - 22 temporárias, por cinco dias, e duas preventivas - foram decretadas pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, especializada em processos sobre crimes financeiros e do colarinho-branco. O juiz, que quebrou o sigilo fiscal de parte dos investigados, vê "práticas sujas" nas empresas dos acusados. Ao autorizar a missão federal ele ressalvou que esta não é uma "operação midiática".Segundo a PF, Dantas e Nahas eram os "capos" de duas organizações criminosas que atuavam separadamente e há pelo menos três anos se uniram para promover desfalques no erário, remessas ilegais para paraísos fiscais, concessão de empréstimos vedados e uso indevido de informação privilegiada.   O presidente do STF se concede habeas-corpus a Dantas, que se antecipou à prisão e protocolou o pedido no mês passado, em caráter preventivo, diante do noticiário de que poderia ser alvo de uma operação da PF. Na terça, com a prisão, os advogados solicitaram pressa ao STF na apreciação do pedido.    Dirceu e Unger   O delegado da PF Protógenes Queiroz, coordenador das investigações da Operação Satiagraha, foi questionado ainda, durante a entrevista coletiva, se o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e o ministro da Secretaria de Planejamento Estratégico, Mangabeira Unger, estão sendo investigados por suposto envolvimento com o grupo liderado pelo ex-banqueiro Daniel Dantas. Em resposta, Protógenes disse que essas informações estão sob sigilo. "Ainda não pode ser fornecida ou contextualizada a conduta dessas duas pessoas e o envolvimento delas com a organização comandada por Daniel Dantas."   O delegado afirmou ter ficado surpreso com a informação de que Naji Nahas receberia informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). "Quanto aos indícios de fraude no Fed, muito nos surpreendeu a habilidade de Naji Nahas devido ao megacontato que ele teria no Brasil e no exterior, e que nos conduziu a ter indícios de manipulação do mercado financeiro internacional e até mesmo a taxa de juros do Fed, em que ele se privilegia antecipadamente de informações e passa a aplicá-las no mercado financeiro nacional." O delegado não informou quais informações e sobre qual período de tempo Nahas teria manipulado, sob a justificativa de sigilo.  

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