Dirceu cobra fidelidade partidária

Ele diz que Marina foi eleita por trabalho da militância

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

Enquanto dirigentes petistas se revezam em apelos para que a senadora Marina Silva (PT-AC) recuse o convite para se transferir para o PV, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu já começou a cobrar que seu mandato fique com o PT. Em seu blog na internet, Dirceu apoiou-se na regra da fidelidade partidária e atribuiu a eleição de Marina a uma luta da militância petista. "Seu mandato pertence ao povo do Acre e também ao PT e à militância petista, que sempre esteve a seu lado e a apoiou no Brasil inteiro."Numa entrevista concedida anteontem, Marina deu novos sinais de que está prestes a aceitar o convite do PV para que deixe seu atual partido e concorra à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, a senadora negou que esteja preocupada em preservar sua cadeira no Senado. "Quando falo de algo da magnitude do que estou fazendo, não seria o medo da perda do mandato que me faria desistir do que acredito e do que defendo. O mandato é uma honra que recebi do povo acreano. O cálculo político apequena o debate", declarou a ex-ministra do Meio Ambiente."Não podíamos esperar outra declaração de uma militante e liderança como Marina Silva. Mas, também, não podemos deixar de registrar aquilo que não é apenas lei ou decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a imposição da fidelidade partidária", continuou Dirceu. O ex-ministro, que deixou o governo como um dos protagonistas do escândalo do mensalão, vem atuando nos bastidores como um dos principais articuladores da candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto no ano que vem. Em meio ao clima de apreensão no partido quanto à provável entrada de Marina na corrida presidencial, ele escreveu no blog que Marina foi "eleita pela luta de dezenas de anos da esquerda". De acordo com ele, o mandato de Marina no Senado resultou de uma "luta de dezenas de anos da esquerda", assim como da atuação do ativista Chico Mendes, que militou ao lado de Marina e foi assassinado em 1988. Também pesaram, na conta feita por Dirceu, o apoio que ela teve de petistas do Acre, como o também senador Tião Viana e o ex-governador do Estado Jorge Viana. Afinal, afirmou o ex-ministro da Casa Civil, "a resistência dos madeireiros e daqueles que queriam avançar sobre a floresta e contra seus povos criou uma rejeição à sua candidatura mesmo entre o eleitorado popular". "Vista como uma militante e liderança que ao lutar pela floresta, contrariava o progresso do Acre, Marina foi eleita quando a realidade demonstrou que ela, Jorge Viana e o PT lutavam a favor daquele Estado e de seu povo", acrescentou Dirceu.

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