Dirceu aposta no STF para reaver direitos políticos

Apesar de já ter recebido diversas manifestações de apoio a sua anistia, o ex-deputado José Dirceu tem dito a aliados que ainda aposta em um outro caminho para tentar reaver os direitos políticos perdidos com a eclosão do escândalo do mensalão. Durante a reunião realizada no último fim de semana pelo Campo Majoritário do PT, Dirceu ressaltou que espera conseguir uma absolvição no Supremo Tribunal Federal (STF) , onde corre o inquérito sobre seu envolvimento e o de outros políticos no esquema de financiamento irregular de campanha denunciado no meio de 2005. No encontro, organizado a portas fechadas em São Roque (SP), Dirceu ouviu de vários colegas de partido palavras favoráveis à criação de um projeto de iniciativa popular que lhe permita recuperar formalmente um espaço na cena política nacional. Ele insistiu, no entanto, em que o ideal seria que houvesse uma agilidade maior no andamento do processo que se encontra no STF. "O que o Zé está querendo mesmo é que o Supremo julgue logo o caso. Ele está muito confiante de que poderá ganhar e ser absolvido", disse um interlocutor de Dirceu, que participou do encontro do fim de semana. De acordo com ele, Dirceu acredita que esta seria uma forma de "cortar caminho" e simplificar a estratégia. Com isso, o ex-ministro também evitaria a polêmica que seria causada pela apresentação de projeto de anistia na Câmara, já que um parecer favorável do STF permitiria reverter a cassação aprovada pelo Conselho de Ética da Casa e pelo plenário. De acordo com o petista, Dirceu já iniciou uma articulação para agilizar o andamento do processo judicial, por meio de seus advogados e em conversas com ministros do STF. "Ele foi ministro da Casa Civil e, obviamente, conhece muita gente por lá". O advogado de Dirceu, José Luis Oliveira Lima, negou que haja alguma mobilização específica da equipe jurídica na tentativa de acelerar o andamento do processo no STF. Segundo ele, a defesa está apenas conduzindo procedimentos técnicos do caso. Lima acredita que, ainda no primeiro semestre deste ano, o STF decidirá se aceita ou não as denúncias apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra Dirceu. Alternativa Enquanto isso, Dirceu continua recebendo manifestações de apoio a um projeto de iniciativa popular. Em conversas informais, entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) teriam se colocado à disposição para colaborar na coleta dos 1,5 milhão de assinaturas necessárias para levar o tema à Câmara. Oficialmente, o assunto ainda permanece fora das discussões. "A cassação dele teve mesmo um caráter muito político. Mas ainda não discutimos essa questão dentro da UNE", disse o presidente da entidade, Gustavo Petta.

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