Dinheiro para compra do dossiê saiu de caixa 2, diz Gabeira

Os deputados Fernando Gabeira (PV-SP) e Vanessa Graziotin (PC do B-AM) foram nesta segunda-feira a Cuiabá buscar o restante dos documentos do inquérito que investiga a tentativa de compra do dossiê contra tucanos. Os dois conversaram também com o delegado Diógenes Curado Filho, responsável pelas investigações. Para Gabeira, os elementos reunidos pela PF convergem para a tese de que o dinheiro para a compra do dossiê saiu do "caixa dois" da campanha de Lula. "É muito difícil que um indivíduo ou um conjunto de indivíduos isolados consiga levantar todo esse dinheiro. Tem que haver uma afinidade política. Muito possivelmente houve caixa 2", declarou Gabeira. Para o deputado, se não aparecerem os donos do dinheiro, Lacerda e Gedimar Passos devem ser responsabilizados.A CPI receberá mais de 500 páginas entre documentos e anexos do inquérito que ainda não haviam sido remetidos. Na papelada, estão todos os indícios de envolvimento do ex-ministro da Saúde Barjas Negri, que também foi secretário executivo de José Serra na pasta. A documentação, que envolve a atuação do empreiteiro Abel Pereira como suposto intermediário de Barjas na liberação de recursos para compra de ambulâncias, foi requisitada por Graziotin e será incluída no relatório final da CPI. A comissão tem que concluir os trabalhos até 20 de dezembro.Gabeira defende uma prorrogação até 20 de janeiro, mas encontra resistências de colegas. Também serão remetidos os cadastros com informações sobre os proprietários dos telefones que se comunicaram com os envolvidos além dos depoimentos de Berzoini, do piloto Tito Lívio e de Abel Pereira. O inquérito em poder da CPI, desatualizado, tem 725 páginas, mas o original alimentado pela PF já supera mil.Conexão RioSegundo Gabeira, Diógenes deverá ir ao Rio ainda nesta semana para aprofundar as investigações das conexões de Hamilton Lacerda no Rio de Janeiro. Os sigilos revelam uma série de telefonemas de Lacerda para números do Rio, ainda sob investigação. Segundo uma autoridade que acompanha as investigações, a PF crê que parte dos dólares saíram mesmo da Vicatur, em Nova Iguaçú, por conta de um detalhe: entre os dólares apreendidos, há um maço de US$ 79,8 mil em notas seriadas, valor que coincide com uma das operações fechadas pela casa de câmbio.

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