Dinheiro do PT ''''era de origem nebulosa'''', diz ex-deputado

Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão, o ex-deputado Bispo Rodrigues negou ontem a existência do esquema de pagamento de propina a parlamentares. Ao depor na condição de réu, afirmou nunca ter ouvido falar da compra de votações na Câmara, embora admita o recebimento de dinheiro de "origem nebulosa" do PT para saldar dívidas da campanha de 2002. Ele rechaçou, contudo, qualquer relação entre essa ajuda e o apoio do antigo PL (atual PR), a que pertencia, ao governo federal em votações. Segundo ele, PT e PL já votavam juntos no governo Fernando Henrique Cardoso."É uma questão até de astúcia política", disse Rodrigues ao juiz Erik Navarro Wolkart, substituto da 7ª Vara Federal Criminal. "Era obrigatório (na era FHC) nosso partido ter um parlamentar todo dia para falar mal do governo Fernando Henrique. Uma vez que a gente foi para o governo, iríamos vender votação? Por que não vendemos para outro? Nunca ouvi falar nisso." Rodrigues confirmou, porém, ter recebido uma quantia, que o juiz afirmou ser R$ 150 mil, do motorista Célio Siqueira, que trabalhava para o deputado Wanderval Santos (PL-SP). "Nunca imaginei que o dinheiro que vinha do PT era de origem nebulosa", disse. Ele negou ter recebido outros R$ 250 mil detectados nas investigações e disse que nunca ouviu falar, antes do escândalo, do publicitário Marcos Valério, citado como principal fonte do mensalão.

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